Crescimento 2017 claramente acima de 2% e pode exceder 3%

Publicado em 01/06/2017 01:20 em Análise de Conjuntura

O crescimento económico em 2017 deverá ficar claramente acima de 2% e poderá mesmo exceder os 3%, segundo cenários ensaiados pelo Falar de Economia e Tecnologia.

Tendo como pressuposto de que não haverá significativas revisões em alta ou baixa das estimativas em valor do PIB nos trimestres de 2016 (que, aliás, nas estimativas publicadas hoje foram revistos em baixa para os três primeiros trimestres e em alta para o último), uma estagnação do produto nos últimos três trimentres do ano em curso levaria a um crescimento económico de 2,03% este ano.

Mas uma manutenção do valor do PIB parece estar fora de causa no segundo trimestre, dado que a Páscoa calhou em 2017 no segundo trimestre e no ano passado no primeiro.

Com um crescimento em cadeia de 0,6% no segundo trimestre, o aumento homólogo do PIB (face ao segundo trimestre do ano passado) seria de 3,2% e com um crescimento em cadeia de 1,0%, igual ao dos primeiros três meses do ano, a variação homóloga do PIB seria de 3,5%.

Utilizando vários cenários de evolução do PIB em cadeia,entre o segundo e o quarto trimestres, perfeitamente plausíveis, chega-se a um crescimento da riqueza produzida próximo de 3%, podendo mesmo ultrapassar ligeiramente os 3%, e com um cenário mais favorável mas também menos provável poderia até ficar acima dos 3,5%.

De sublinhar que aqueles valores reflectem uma base homóloga de crescimento anémico na primeira metade do ano passado e um crescimento mais pujante no segundo trimestre de 2016, pelo que não é possível tirar conclusões sobre se os níveis estimados para 2017 terão sustentabilidade nos anos seguintes.

O crescimento poderá ser mais sustentável se a política governamental sofrer alguma inversão no sentido de apostar em mais investimento público, que o executivo de António Costa conduziu a mínimos históricos, e se houver uma real aposta no aumento de poder de compra das famílias, que está longe de ser uma realidade.

Os salários da função pública e das empresas do sector público, incluindo aqueles que eram iguais ou superiores a 1500 euros e que viram no fim do ano passado o seu valor nominal reposto, estão ao nível de 2009.

Isto é, estão a ser penalizados por um aumento de preços que, admitindo uma inflação de 1% em 2017, será da ordem dos 10,4%. Ou seja, compram hoje menos 9,4% em relação ao seu poder de compra de 2009.

Com o portal do GEO do Ministério do Emprego indisponível, não é possível obter os salários médios em 2009 e 2016. Mas as estatísticas do INE revelam que o rendimento monetário disponível médio por agregado caiu de 18 734 euros em 2009 para 17 967 euros em 2015.

Todos estes dados revelam que apesar de algum desagravamento fiscal nos rendimentos familiares, nomeadamente com a prevista eliminação total do adicional ao IRS até ao fim do ano, as famílias portuguesas continuam a ter menos rendimento disponível do que tinham há oito anos.

Por isso, se é verdade que o Indicador de Confiança atingiu em Maio o máximo da série iniciada há 20 anos, tal não é verdade na apreciação sobre a situação financeira do agregado familiar, que se agravou nos últimos dois meses e se situa em níveis muito mais desfavoráveis do que os observados entre o fim de 1997 e o primeiro semestre de 2000.

Os factores que justificam a melhoria das confiança dos consumidores prendem se principalmente com a sua percepção da situação económica do país e com a evolução do desemprego e não tanto com a situação actual do agregado familiar.

Os portugueses esperam uma evolução favorável da situação financeira do agregado familiar, ainda que em níveis mais ténues do que os do fim do século passado, antes de o euro começar a circular.

Os dados do INE hoje divulgados revelam uma desaceleração do crescimento do consumo privado no primeiro trimestre, para 2,2%, e uma aceleração do investimento, com destaque para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) em construção e uma melhoria da procura externa líquida.

O Valor Acrescentado Bruto (VAB) cresceu 2,1% homólogos no primeiro trimestre, com destaque para aceleração do VAB industrial, para um acréscimo de 4,5%, e do VAB da construção, para um aumento homólogo de 7,4%.

O INE indica que o emprego teve um crescimento homólogo de 3,2% no primeiro trimestre.



Fernando Valdez

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