PIB português acelerou no primeiro trimestre

Publicado em 16/05/2017 00:42 em Análise económica

O Produto Interno Bruto (PIB) português acelerou no primeiro trimestre de 2017, para um crescimento homólogo (face ao mesmo trimestre do ano anterior) de 2,8% em volume, um valor que já não era atingido desde o quarto trimestre de 2007, segundo dados preliminares do INE.

E é preciso recuar ao século passado para se encontrar um primeiro trimestre com um crescimento homólogo mais favorável (4,4% em 2000).

Segundo o INE, a variação homóloga mais robusta deve-se a um contributo mais favorável da procura externa líquida de bens e serviços e a um contributo positivo elevado da procura interna, com desaceleração do consumo privado e aceleração do investimento.

Em cadeia (face ao trimestre precedente), a riqueza produzida em Portugal nos três primeiros meses de 2017 cresceu 1,0% em volume (em termos reais).

Embora a tendência dos governos no poder seja embandeirar em arco com números como estes, é necessário lê-los com alguma prudência porque se trata de uma comparação homóloga com um ano (2016) em que o país teve um primeiro semestre anémico e um arranque do crescimento na segunda metade do ano.

De qualquer forma, o Falar de Economia e Tecnologia mantém a previsão, feita a 2 de Março passado, de um aumento do PIB em 2017 da ordem dos 2%, tanto mais que o aumento em cadeia registado no primeiro trimestre é superior ao que constava em todos os cenários de previsão considerados.

Mantemos que é possível atingir este ano um crescimento da riqueza produzida da ordem dos 2,5% no ano em curso.

O INE indica que entre o último trimestre de 2016 e o primeiro de 2017, o contributo da procura externa líquida (exportações menos importações de bens e serviços) para a variação do produto passou de negativo para positivo.

Acrescenta que o contributo da procura interna para o crescimento diminuiu de forma expressiva, devido principalmente ao comportamento do investimento.

O que, na nossa opinião, dá razão às críticas à opção por uma redução acelerada do défice orçamental em prejuízo do investimento público, que tem vindo a atingir mínimos históricos.

Com opções de política económica do governo mais amigas do crescimento ,seria alcançável um aumento do PIB mais robusto e compaginável com aquilo de que Portugal necessita.



Fernando Valdez

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