Google anuncia «verificação de factos» na pesquisa

Publicado em 11/04/2017 01:55 em Internet

A Google anunciou a disponibilização da «verificação de factos» na pesquisa Google em todos os idiomas, passando os resultados da busca a conterem verificações para uma ou mais alegações públicas na Google Notícias.

Num texto de Justin Kosslyn (Jigsaw) e Cong Yu (Google), publicado no blogue oficial da Google, a companhia garante que o seu motor de busca foi criado para ajudar as pessoas a ter acesso a informação de alta qualidade quando pesquisam na Internet o que aí é produzido.

Contudo, alertam para que, com milhares de artigos novos a serem publicados em linha a cada minuto, infelizmente nem todos são factuais ou verdadeiros, tornando difícil a distinção entre os verdadeiros e falsos no meio de um volume de dados esmagador.

Os autores indicam que, por isso, a Google em parceria com a JigSaw, desenvolveram em conjunto um marcador de verificação de factos para «publishers» para ser utilizado no Google News (Google Notícias para Portugal).

Acrescentam que os utilizadores verão um «snippet» na página de resultados com toda a informação, quem fez a reivindicação e a verificação dessa reivindicação.

Kosslyn e Yu assinalam que essas informações não estarão disponíveis para todos os resultados de pesquisa em que diferentes publicadores verificaram a mesma alegação e chegaram a conclusões diferentes, destacando que as verificações de facto não pertencem à Google e são apresentadas para que os utilizadores possam fazer juízos de valor fundamentados.

«Embora possam ser apresentadas conclusões divergentes, pensamos que continua a ser útil para as pessoas compreenderem o grau de consenso em torno de uma alegação específica e ter informações claras sobre quais as fontes em que concordam», afirmam os autores do texto.

A Google afirma que o esforço de verificação não seria possível sem a ajuda de outras organizações e sem a comunidade de verificação de factos que conta já com 115 organizações.



Na minha opinião [de jornalista profissional], apenas as notícias de jornalistas que cumpram a sua obrigação ética e deontológica de verificar os dados previamente à sua publicação – o que infelizmente nem sempre acontece, mesmo nalguns órgãos da informação, onde a pressa em dar o «cacha» compromete muitas vezes o obrigatório rigor – é garante de uma informação verdadeira e fiável.

E os boatos e informações falsas vão continuar a campear na Internet, com destaque para as redes sociais, e a ser difundidas acriticamente por muitos que as reencaminham, frequentemente pondo em causa o bom nome de pessoas e instituições, ou simplesmente servindo para difundir ideias ou informações falsas, com objectivos nem sempre claros ou confessáveis.



Fernando Valdez

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