Políticas para o crescimento, precisam-se

Publicado em 30/03/2017 15:32 em Opinião económica

Sem moeda própria, a aposta de Portugal no crescimento económico deveria ser na dinamização do investimento público e na melhoria dos salários reais, não só na função pública como no sector privado, designadamente com um aumento mais expressivo do salário mínimo.

As projecções 2017/2019 do Banco de Portugal reconhecem que o baixo crescimento dos salários condiciona o aumento do consumo privado, que é, destacadamente, a componente mais importante na formação do Produto Interno Bruto.

Para este ano, mantenho – como escrevi no início de Março - que é perfeitamente alcançável um crescimento de 2% e que não será de excluir que o PIB possa subir até 2,5% homólogos.

Mas as perspectivas para 2018, passadas as eleições autárquicas, esgotado o efeito da reposição de salários na administração pública e da eliminação do adicional ao IRS e num contexto de praticamente nula ou mesmo negativa evolução dos salários reais do sector privado e de estagnação ou quase das pensões, com queda em termos reais, é de abrandamento económico.

É de sublinhar que o aumento dos salários e pensões mais baixos acabam por ir de imediato, praticamente na sua totalidade, para a economia ao contribuir para melhorar níveis de vida muito apertados. Por isso se defende aqui um aumento mais generoso do salário mínimo, que tem repercussões nos restantes salários e efeitos muito efectivos no crescimento económico.

Enquanto o Governo continuar a apostar numa redução do défice orçamental que asfixia a economia, obedecendo às imposições de Bruxelas, e não apostar numa redução do serviço da dívida exigindo uma renegociação das taxas de juro da dívida nacional, enquanto não optar por aumentos reais das pensões e de salários, no privado e no público, com aumentos significativos do salário mínimo, dificilmente o país sairá do ciclo vicioso de um crescimento anémico, que mais não é do que estagnação/recessão.

Este século XX!, o crescimento médio anual do PIB português foi de 0,4% ao ano, o que só pode ser considerado em termos práticos como um contexto recessivo.



Fernando Valdez

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