Banco Portugal prevê crescimento económico 1,8% em 2016

Publicado em 30/03/2017 01:37 em Análise económica

O Banco de Portugal anunciou quarta-feira uma previsão de crescimento de 1,8% para a economia portuguesa no ano em curso, com o consumo privado a abrandar para 2,1%, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) a aumentar 6,8%, em aceleração, e com as importações a crescerem 7,3%, ultrapassando o acréscimo das exportações (6,0%).

O banco central português, nas suas projecções para a economia portuguesa 2017-2019, antecipa que o crescimento do PIB abrande para 1,7% em 2018 e 1,6% em 2019.

O banco central admite que a taxa de desemprego baixe para 9,9% no ano em curso, 9,0% no próximo e 7,9% em 2019. O emprego poderá aumentar 1,6% este ano, 1,0% no próximo e 1,1% em 2019, segundo a mesma fonte.

O Banco de Portugal espera um crescimento forte do investimento empresarial nos três anos da projecção, enquanto o consumo privado ficará condicionado pelo baixo crescimento dos salários reais e pela necessidade de redução do endividamento das famílias, o que leva a instituição a apontar para acréscimos do consumo de 1,4% em 2018 e 2019.

O banco central português, além da previsão de aceleração do investimento empresarial, antecipa um crescimento da FBCF em habitação e indica que o investimento, público e privado, deverão beneficiar da normalização do financiamento por fundos europeus no actual programa Portugal 2020, após uma fase inicial de transição.

O crescimento da economia portuguesa tem sido penalizado nos últimos anos pela redução dos salários reais, uma quebra dos salários líquidos decorrentes do «brutal aumento de impostos de Vítor Gaspar, altos níveis de desemprego, particularmente até 2014 e uma grande redução do investimento público.

Apesar de novo afundamento do investimento público no ano passado, para níveis historicamente baixos, em 2016 verificou-se uma aceleração intra-anual do crescimento económico devido a algum alívio dos impostos sobre o trabalho, com a descida ou eliminação nalguns casos da taxa adicional de 3,5% em sede de IRS, da reposição de salários na função pública, cujos efeitos homólogos se esgotarão em Outubro, do aumento do salário mínimo em 2016 e 2017 e de uma excelente procura turística, que influenciou positivamente as exportações de serviços.

Em 2017, ano de eleições autárquicas é de esperar o tradicional aumento de investimento público municipal, que não se repetirá no próximo ano.



Fernando Valdez

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