Portugal abaixo média europeia na utilização da nuvem

Publicado em 10/03/2017 00:06 em Geral

A nuvem é utilizada por 65% a 70% das organizações europeias mas Portugal está abaixo daquela média, ainda que já haja mais de metade das organizações nacionais a utilizar a cloud, revelou hoje Gabriel Coimbra, director-geral da IDC em Portugal.

Falando hoje em Lisboa na abertura do «Cloud Leadership Forum», organizado pela IDC, Gabriel Coimbra afirmou que em 2016 houve «uma aceleração brutal» na utilização da nuvem em Portugal.

O director-geral (DG) da IDC Portugal salientou que em 2020 os cinco maiores actores do mercado de cloud (nuvem) terão em conjunto pelo menos três quartos dos mercados combinados de PaaS (Plataforma como um Serviço) e IaaS (Infra-estrutura como um Serviço), quota que em 2015 não excedia os 52%.

Destacou que na Europa, por questões de segurança, há maior utilização da cloud privada mas nos Estados Unidos, um mercado mais maduro, utiliza-se mais a cloud pública e observou que nos EUA há maior concentração da oferta de cloud pública em menos operadores

O DG da IDC Portugal previu que em 2020 pelo menos metade do investimento tecnológico em, novas aplicações de negócio se baseie na nuvem e que em 2018 a capacidade de analisar dados em tempo real será em grande parte feito na cloud.

Gabriel Coimbra destacou que é -impossível passar tudo para a nuvem mas é necessário ter uma estratégia clara de evolução para a cloud no âmbito da transformação digital.

Sandra Ferreira, CTO (responsável executiva pela tecnologia) da Microsoft Portugal, sustentou que a nuvem está a transformar os negócios e que os negócios estão, por sua vez, a transformar a cloud.

Indicou que cada negócio, mesmo os mais inesperados como o exemplo que deu da produção de ostras, é potencialmente um negócio de tecnologia que precisa da cloud.

Sandra Ferreira indicou que a multinacional utiliza nos seus centros de dados espalhados pelo mundo um total de 2,6 milhões de quilómetros de fibra óptica.

Adiantou que a primeira geração de centros de dados terminou em 2005 e vamos na quinta geração e revelou que entre a primeira e a quarta geração de «data centers» o consumo de energia baixou para um oitavo, com um grande aumento da capacidade, que se multiplicou por cerca de 80.

A CTO da Microsoft Portugal afirmou que é necessário repensar a segurança na nuvem, compreendendo o estado da segurança na cloud e adoptando medidas rapidamente, e captar clientes na base de detecção mais efectiva de ameaças informáticas na nuvem.

Sandra Ferreira destacou que a inteligência artificial tem tido evoluções enormes e que o próximo passo será a sua democratização, que já está em curso com assistentes pessoais como o Cortana, disponível com o Windows em computadores, tablets e smartphones.

Indicou que o Cortana tem actualmente 133 milhões de utilizadores que já puseram 12 mil milhões de questões àquele assistente virtual.

A responsável da Microsoft assinalou o acontecimento histórico de reconhecimento de um discurso falado por inteligência artificial com uma taxa de erro semelhante à que ocorre com os humanos.

Precisou que é possível traduzir informaticamente de russo para inglês os milhares de páginas do romance Guerra e Paz, de Tolstoi, em 2,5 segundos.

Luís Moreno Campos, director da Oracle EMEA, garantiu que os números daquela multinacional revelam que está a haver uma adopção muito rápida das tecnologias cloud.

Indicou que a Oracle desenvolveu uma solução que tem todas as vantagens de uma cloud pública mas que permite às empresas construírem uma cloud própria com os seus dados.

Recordou que a multinacional Oracle investiu desde 2004 mais de 45 mil milhões de dólares em investigação e desenvolvimento.

Bruno Horta Soares, consultor sénior da IDC, assinalou que as principais prioridades nas despesas de segurança nos próximos 12 meses serão em dotar as modernas infra-estruturas de rede para suportar detecção avançada de ameaças e prevenção de ataques, nos produtos de prevenção de perda de dados e em moderna soluções de segurança «endpoint».

Previu que em 2019 mais de três quartos dos fabricantes de dispositivos de Internet das Coisas (IoT) vão melhorar a segurança dos seus equipamentos para os tornar mais confiáveis.

Aquele consultor da IDC previu que em 2015 haja 80 mil milhões de dispositivos ligados à Internet, cerca de 6,5 vezes mais do que actualmente.

Bruno Horta Soares antecipou que em 2018 cerca de 70% dos ambientes de cibersegurança das empresas assentarão em tecnologia cognitiva, baseada em inteligência artificial, para ajudar os humanos a lidar com a crescente complexidade dos ataques informáticos.

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