PIB português deve aumentar acima dos 2% em 2017

Publicado em 02/03/2017 02:31 em Análise de Conjuntura

O INE confirmou hoje que o PIB aumentou 1,4% em 2016 e reviu em alta o crescimento homólogo para o quarto trimestre do ano passado, que terá atingido os 2,0%.

Os dados constantes das últimas Contas Nacionais Trimestrais do Instituto Nacional de Estatística levam a prever que o crescimento da riqueza nacional em 2017, se não houver grandes alterações da envolvente internacional, ficará acima dos 2,0% e poderá mesmo atingir 2,5% ou 2,6%.

Os cenários testados pelo Falar de Economia e Tecnologia indicam que se o PIB tivesse uma variação zero em cadeia nos quatro trimestres de 2017, ainda assim haveria este ano um crescimento de 0,96%.

Vários cenários com taxas de crescimento trimestrais que não se afastam das verificadas nem 2016 apontam, para um crescimento muito ligeiramente superior a 2,0% mas dois cenários perfeitamente plausíveis, com pequenas acelerações dos crescimentos em cadeia face aos mesmos trimestres do ano passado, apontam para crescimentos entre 2,4% e 2,6%.

Os cálculos efectuados, com as limitações que tem sempre uma previsão efectuada a um ano de distância, apontam para um crescimento do PIB confortavelmente acima de 2,0% e que poderá atingir ou exceder os 2,5%. A casa dos 3%, não sendo totalmente impossível, só muito dificilmente seria alcançada.

O Instituto Nacional de Estatística adianta que a procura interna deu no ano passado um contributo menos positivo, de 1,5 pontos percentuais (pp), para o crescimento do PIB, reflectindo em grande medida a queda de 0,9% do investimento, mas também um crescimento menos intenso do consumo privado, enquanto o contributo da procura externa líquida de bens e serviços passou de menos 1,0 pontos percentuais em 2015 para menos 0,1 pp em 2016.

O INE assinala que no último trimestre as importações de bens e serviços aumentaram mais do que as exportações e a procura externa passou a apresentar um contributo negativo nos últimos três meses do ano.

O consumo privado cresceu 2,3% no ano passado, com um aumento de 9,5% nos bens duradouros e um acréscimo de 1,6% nos bens não duradouros e serviços, segundo o INE.

O consumo público manteve um crescimento de 0,8%, idêntico ao de 2015,

O INE revela que o investimento caiu 0,9% em 2016, em consequência de uma quebra de 0,3% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e do contributo negativo da variação de existências.

A FBCF em construção caiu 2,2% no ano passado, a FBCF em máquinas e equipamentos (excepto material de transporte) desacelerou fortemente, para uma subida de 1,4%, influenciada pela exportação de 112 milhões de euros de material militar para a Roménia (que segundo a nova metodologia das Contas Nacionais abate à FBCF), aFBCF em material de transporte cresceu 8,8% e a FBCF em produtos de Propriedade Intelectual caiu 1,2%, uma variação menos negativa do que a de 2015.

As exportações de bens cresceram 4,7%, abaixo do registado em 2015, e as exportações de serviços também abrandaram, para 2,0%, apesar da aceleração das exportações de serviços turísticos, de acordo com o instituto.

O Valor Acrescentado Bruto (VAB), a preços base, desacelerou no ano passado, para um acréscimo de 0,9%, com variações negativas nas Actividades financeiras, de seguros e imobiliárias (menos 1,7%), na agricultura, silvicultura e pescas (menos 5,0%) e na construção (menos 1,8%) e crescimentos na indústria (0,7%), no comércio, reparação de veículos, alojamento e restauração (3,4%), na Energia, águas e saneamento (2,8%) e nos transportes e armazenagem e actividades de informação (0,7%), indica o INE.

O INE indica que o emprego no conjunto dos ramos de actividade aumentou 1,6% em 2016.

De destacar que a queda do investimento público para níveis historicamente baixos, devido à aceitação pelo governo de imposições absurdas de descida abrupta do défice orçamental decididas pela Comissão Europeia, está a penalizar o crescimento económico do país.

O avultado valor do serviço da dívida pública, em particular dos juros, que estrangula a economia nacional, e a insistência da CE em descidas abruptas do défice orçamental em percentagem do PIB, aliás excedidas em baixa pelo Governo, são em grande medida responsáveis pelos limitados níveis de crescimento do PIB português.

Com políticas orçamentais mais amigas do crescimento, que o estimulassem, nomeadamente ao nível do investimento público, seria possível atingir níveis de crescimento e de aumento do emprego claramente mais ambiciosos.



Fernando Valdez

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