ACAP prevê abrandamento vendas automóveis em 2017

Publicado em 08/02/2017 00:50 em Notícias economia

A Associação Automóvel de Portugal (ACAP) prevê um abrandamento das vendas de ligeiros em Portugal em 2017, para crescimentos de 2% tanto nos ligeiros de passageiros como nos comerciais ligeiros.

Para 2018 a ACAP antevê aumentos de vendas de 3% em ambos os segmentos de ligeiros.

Em encontro com a comunicação social, Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP, destacou que as 440 empresas da indústria automóvel nacional têm um volume de negócios de 7,2 mil milhões de euros e empregam 34 mil trabalhadores directos, enquanto as cerca de 28 mil empresas de comércio, manutenção e reparação de veículos automóveis e motociclos facturam 16,5 mil milhões de euros e empregam directamente 90 mil trabalhadores.

Indicou que a maior fatia das receitas do comércio, manutenção e reparação automóveis vem das vendas de veículos, seguindo-se as peças.

Salientou que, segundo os dados do INE, a indústria automóvel foi em 2015 o maior sector exportador em Portugal, representando 11,1% das vendas de bens ao estrangeiro, e tem uma taxa de cobertura das importações pelas exportações de 80%.

Hélder Pedro recordou que até ao fim dos anos setenta/início da década de oitenta do século passado, a produção automóvel e as vendas em Portugal tinham números muito próximas, mas a partir da entrada na então CEE a situação alterou-se e as vendas passaram a ser significativamente superiores ao número de veículos produzidos.

Indicou que em 2016 a AutoEuropa, em Palmela, produziu 85126 veículos, a Peugeot Citroen, em Mangualde, 49 465 viaturas, a Mitsubishi Fuso Truck 6662 e a Toyota Caetano 1823, destinando-se à exportação 85% da produção automóvel total.

As exportações de veículos destinam-se essencialmente à União Europeia, com a Alemanha a aborver 23,1%, a Espanha 15,4%, o Reino Unido 11,5%, a França 10,0% e a Áustria 6,5%. Hélder Pedro revelou que a China, que ainda há alguns anos era irrelevante nas exportações automóveis nacionais, representou no ano passado 5,5% do total.

O secretário-geral da ACAP adiantou que 2012 foi o ano de vendas mais baixas desde 1985, com 113 mil viaturas novas vendidas. Contudo, os dados da ACAP revelam que no ano passado as vendas de viaturas novas em Portugal (247 398) ainda estavam a um nível inferior ao de 2008, situação que deverá repetir-se este ano e no próximo, caso se confirmem os números previstos pela ACAP.

Em 2016, um quinto das vendas de ligeiros de passageiros novos foram para empresas de rent-a-car, 12% foram para empresas de aluguer operacional de viaturas (AOV) e 68% foram vendidas ao público em geral, segundo os dados da ACAP.

Hélder Pedro destacou que desde 2013 as vendas de ligeiros de passageiros a diesel têm vindo a perder peso embora continuem dominantes, com 64% das vendas de novos, enquanto as de veículos a gasolina ganharam maior expressão, representando no ano passado 33%, mais sete pontos percentuais do que em 2013.

Os ligeiros de passageiros importados usados representaram no ano passado 28,3% das vendas totais em Portugal, um forte agravamento face a 2010, em que não íam além de 10,7%.

O secretário-geral da ACAP destacou a tendência de envelhecimento do parque automóvel nacional desde 2009/2010, verificando-se que a idade média das viaturas entregues para abate na ValorCar foi superior a 20 anos em 2015 e 2016, com consequência negativas para a segurança rodoviária e para as emissões de anidrido carbónico.

Indficou que em Portugal se vendem 20 automóveis por mil habitantes, bastante abaixo dos 29 de média da União Europeia (UE) e dos 25 de Espanha.

Hélder Pedro sublinhou qeu o sector automóvel representou 21,6% das receitas fiscais em Portugal em 2016, contra 15% em média da UE.

O dirigente da ACAP destacou que a filosofia da reforma da fiscalidade automóvel de 2007 era reduzir progressivamente o imposto sobre veículos, para facilitar a compra, e aumentar o imposto de circulação (IUC), que é cobrado ao longo do tempo de vida útil dos veículos, mas, «ao contrário do espírito da reforma», o imposto sobre veículos (ISV), cobrado no acto de compra aumentou 17,2% em 2016, enquanto o IUC se agravou 5,4% (mais 1,6% a parte das autarquias, mais 8,6% a parte que reverte para o Orçamento de Estado).

Jorge Rosa, presidente da associação, sublinhou que a ACAP tem defendido desde sempre que o sector automóvel, que produz anualmente 17,2 milhões de veículos e emprega 2,3 milhões de pessoas na UE, deve ser considerado estratégico pela União Europeia.

Em Portugal, onde se produzem actualmente mais veículos do que nalguns países europeus tradicionalmente produtores, como a Suécia, Holanda, Finlândia ou Áustria, o sector automóvel deve ser eleito como um sector prioritário para o país, sustenta o presidente da ACAP, que defende a urgência de revitalizar o sector em Portugal.

Hélder Pedro recordou que a ACAP tem feito propostas de alteração da classificação de veículos e preços nas portagens e faz parte do grupo de trabalho que deverá apresentar em breve um relatório sobre essa matéria.

Criticou o fim dos incentivos ao abate de automóveis, que era extremamente necessário para dinamizar as vendas de automóveis novos, e defendeu que isso poderia ser feito sem perda de receita fiscal, por efeito do aumento de vendas.

José Ramos, vice-presidente da ACAP, destacou que tanto a associação europeia como a britânica vêem o Brexit com preocupação, devido à importância das trocas comerciais entre o Reino Unido e o resto da UE no sector automóvel.

Adiantou que 30% dos autocarros produzidos na Toyota Caetano são exportados para o Reino Unido.

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