Um quarto das 500 maiores organizações portuguesas estarão em nível de maturidade digital elevado em 2020

Publicado em 26/01/2017 00:05 em Geral

O director-geral da IDC Portugal, Gabriel Coimbra, previu hoje que um quarto das 500 maiores empresas portuguesas estarão em 2020 no nível 4 ou 5 (máximo de maturidade digital), o que compara com 15% em 2016.

Falando a abrir a conferência «Liderar a transformação digital em Portugal», organizada pela IDC, Gabriel Coimbra revelou que 28% das 500 maiores empresas nacionais estão no nível 1 (resistente à transformação digital) e 32% no nível 2 (a explorar a transformação digital), o que significa que 60% das empresas portuguesa estão actualmente nos dois níveis mais baixos do modelo IDC de transformação digital.

Os dados da IDC classificam 25% das 500 maiores nacionais no nível 3 (actor digital), 11% no nível 4 (transformação digital) e 4% no nível 5 (disrupção digital).

Segundo a IDC, nos Estados Unidos 14% das maiores empresas estão no nível 1, enquanto 32% estão no nível 2, um terço no 3, cerca de 14% no 4 e 8% no nível 5.

Na Europa Ocidental, os níveis 1 a 5 integram, respectivamente, um quinto das maiores empresas, 34%, 28%, 12% e 5%.

Gabriel Coimbra previu que em 2020 a terceira plataforma (computação na nuvem, analítica de Big Data, redes sociais e mobilidade) e os aceleradores de inovação (robótica, interfaces naturais, impressão 3D, Internet da coisas, sistemas cognitivos e segurança de próxima geração) representarão em conjunto mais de metade (52%) da despesa em tecnologias da informação (TI) em Portugal.

Adiantou que em Portugal entre 2016 e 2020 os aceleradores de inovação terão um aumento anual médio acumulado (CAGR) de 38%, a terceira plataforma de tecnologias da informação e comunicação (TIC) um CAGR de 12,8% e a segunda plataforma um CAGR negativo (menos 3,6%).

O director-geral da IDC Portugal antecipou que em 2020 cerca de 35% dos projectos de TI das 500 maiores organizações portuguesas estarão orientados para o crescimento das receitas através da monetização dos dados.

Admitiu que em 2018, ano de entrada em vigor do Regulamento, mais de três quartos dos CIO (executivos com o pelouro da Informação) das 500 maiores organizações nacionais terão no topo das suas agendas o Regulamento Europeu de Protecção de dados.

Previu que em 2020 em Portugal 43% do orçamento empresarial de TI estará centrado em plataformas cloud, públicas e privadas, com a cloud pública a aumentar a sua relevância, e as empresas líderes nos seus sectores e principais ministérios criarão clouds sectoriais.

Antecipou que em 2020 pelo menos 45% das maiores empresas da Europa Ocidental terão as suas infra-estruturas de TI e o software baseados na cloud.

Coimbra vaticinou que em 2019 mais de metade das 500 maiores organizações nacionais terá uma equipa dedicada à transformação digital, com grande atraso em relação à Europa Ocidental, onde a IDC prevê que no fim de 2017 quatro em cada cinco das maiores empresas tenha uma equipa específica para esse fim.

Acrescentou que em 2019 mais de metade das receitas em Portugal dos grandes fornecedores de serviços cloud serão intermediadas por parceiros, percentagem que na Europa Ocidental já atingirá os 80% em 2018.

Gabriel Coimbra indicou que a IDC prediz que em 2020 mais de um quinto das empresas portuguesas com foco no consumo vão desenvolver soluções AR/VR (realidade aumentada/realidade virtual), enquanto nas maiores empresas da Europa Ocidental uma em cada cinco deverá ter esse objectivo em 2019.

O director-geral da IDC em Portugal prevê que a futura quarta plataforma digital comece a ter impacto em Portugal em 2025, iniciando-se pelo sector da saúde e outros sectores com contacto directo com os consumidores.

Gabriel Coimbra indicou que o sector português das TIC caiu 0,7% no ano passado, com queda de 2,9% nas comunicações e aumento de 1,9% nas TI e que em 2017 deverá ter idêntica quebra, com descida de 2,1% nas comunicações e aumento de 0,9% nas TI.

O sector deverá continuar a cair em 2018 (menos 0,1%) e em 2019 (menos 0,4%), devido à evolução negativa nas comunicações, mas deverá crescer 1,1% em 2020, com um aumento de 1,8% nas TI e de 0,4% nas comunicações.

Bruno Horta Soares, consultor sénior da IDC, considerou que os responsáveis empresariais em Portugal estão bastante entusiasmados com a transformação digital, mas também bastante assustados.

Considerou que «toda a gente quer inovar desde que não tenha de mudar».

Horta Soares defendeu que as organizações estão a ser pressionadas para a transformação digital, o que dificulta uma gestão própria da sua agenda de transformação.

Aquele consultor da IDC sublinhou que a transformação digital não é algo que possa ser implementado por um grupo à margem do conjunto da organização, é preciso que todos pensem digital.

Observou que a transformação digital não é só tecnologia, não é uma transformação do «back-office», implica também uma mudança da forma de fazer negócio.

Horta Soares sustentou que a transformação digital precisa de envolvimento da liderança da organização ao mais alto nível, de uma nova cultura e visão empresarial, motivação, competências, talento, capital e tecnologia.

Revelou que a IDC prevê que a despesa mundial nas tecnologias de transformação digital cresça a um CAGR de 16,8%, para ascender a 2,1 biliões (milhões de milhões) de dólares (1,9 biliões de euros).

Indicou que, também em 2019, o investimento em robótica deverá atingir 135 mil milhões de dólares (125 mil milhões de euros) e a despesa em sistemas cognitivos deverá elevar-se a 31 mil milhões de dólares (quase 29 mil milhões de euros).

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