Desigualdade económica, polarização social e ameaças ambientais são principais riscos para 2017, WEF

Publicado em 12/01/2017 01:47 em Economia Geral

As desigualdades económicas, a polarização social e a intensificação das ameaças ambientais são os principais riscos identificados pelo «Global Risks Report 2017», do World Economic Forum (WEF), para o ano que agora começa e que vão moldar os desenvolvimentos globais da próxima década.

O documento do WEF afirma que «os principais factores de risco podem ser detidos ou invertidos através da construção de sociedades mais inclusivas, para as quais a cooperação internacional e o pensamento a longo prazo serão vitais».

Acrescenta que será necessária uma acção colaborativa dos líderes mundiais para evitar mais dificuldades e volatilidade na próxima década.

Os 750 especialistas que responderam ao inquérito avaliaram 30 riscos globais e 13 tendências subjacentes e, no contexto de crescente descontentamento político e perturbação no mundo, surgiram três conclusões principais.

A primeira, de que a crescente disparidade de rendimentos e de riqueza, bem como a crescente polarização das sociedades, ficaram no primeiro e terceiro lugar do ranking das tendências que determinarão a evolução global nos próximos 10 anos. Além disso, os riscos mais interligados são o elevado desemprego estrutural e o subemprego e a profunda instabilidade social.

Em segundo lugar, o ambiente domina o panorama dos riscos globais, surgindo as alterações climáticas como a segunda tendência subjacente e, pela primeira vez, todos os cinco riscos ambientais analisados foram considerados de alto risco e de alta probabilidade.

Em terceiro lugar, segundo o WEF, a sociedade não acompanha o ritmo de mudança tecnológica. Das 12 tecnologias emergentes analisadas no relatório, os especialistas identificaram a inteligência artificial e a robótica como as tecnologias com maiores benefícios potenciais, mas também como as que têm os efeitos potenciais mais negativos.

O relatório adianta que as mudanças políticas na Europa e na América do Norte colocam em risco o progresso nas mudanças significativas na área das alterações climáticas e os líderes políticos enfrentarão mais dificuldades em acordar um plano de acções de âmbito internacional para enfrentar os riscos económicos e sociais mais prementes.

O WEF afirma que «as transições complexas que o mundo está a atravessar actualmente, desde a preparação para um futuro com baixas emissões de carbono até uma mudança tecnológica sem precedentes para se adaptar às novas realidades económicas e geopolíticas globais, colocam ainda mais ênfase na necessidade de os líderes apostarem no pensamento, no investimento e na cooperação internacional a longo prazo».

«Vivemos em tempos de ruptura, onde o progresso tecnológico também cria desafios. Sem a devida governança e requalificação dos trabalhadores, a tecnologia acabará por eliminar postos de trabalho mais rapidamente do que os irá criar. Os Governos já não conseguem oferecer os níveis históricos de protecção social e uma narrativa anti-sistema ganhou força, com novos líderes políticos a culpar a globalização pelos desafios da sociedade, criando um ciclo vicioso em que o menor crescimento económico só aumentará a desigualdade. A cooperação é essencial para evitar a deterioração das finanças públicas e a exacerbação da agitação social», segundo Cecilia Reyes, Chief Risk Officer da Zurich Insurance Group.

O World Economic Forum, que reúne normalmente muitos dos principais dirigentes políticos e económicos do Mundo, reúne-se de 17 a 20 de Janeiro.

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