Consumo famílias faz aumentar mais PIB do que investimento ou exportações

Publicado em 29/12/2016 23:49 em Análise económica

O INE revelou hoje que cada euro de consumo adicional das famílias faz aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) em 74 cêntimos e as importações em 26 cêntimos, o que significa que o aumento do consumo privado induz mais crescimento do que o acréscimo das exportações ou do investimento.

Segundo o INE, cada euro a mais exportado por Portugal induz um aumento de 55 cêntimos na riqueza produzida e de 45 cêntimos nas importações nacionais.

Quanto ao investimento, os números têm de ser lidos com cuidado porque o investimento reprodutivo, o bom investimento, tem efeitos a prazo no crescimento e no emprego, logo também no consumo, que não estarão reflectidos nos cálculos das matrizes simétricas input-output, do INE.

Mas os cálculos efectuados pelo Instituto de Estatísticas português apontam para que cada euro adicional investido em Portugal provoca um aumento de 67 cêntimos no PIB e de 33 cêntimos nas importações.

Quanto ao consumo das administrações públicas, cada euro gasto a mais implica um aumento de 92 cêntimos no PIB e de 8 cêntimos nas exportações.

No consumo das famílias, a componente importada para consumo directo é de 13 cêntimos por euro gasto e os restantes 13 cêntimos dizem respeito a importações no âmbito do processo produtivo.

O INE alerta para que os cálculos, feitos com base em dados de 2013, pressupõem um crescimento uniforme de todas as componentes de cada agregado, exemplificando que, se o aumento das exportações se verificasse apenas nos serviços de alojamento e restauração, cada euro de acréscimo significaria de 84 cêntimos de aumento do PIB e 16 cêntimos de importações.

Em contrapartida, nas exportações de produtos de petróleo refinados, cada euro de aumento das exportações representaria 84 cêntimos de novas importações e apenas 6 cêntimos de crescimento da riqueza produzida.

O INE não analisa esta questão mas seguramente o aumento do investimento público, grande parte dele dirigido a infra-estruturas de construção de obras públicas, com uma muito baixa componente importada, teria também um importante impacto no crescimento da riqueza produzida.

Os cálculos do INE contrariam as teses, expendidas pela troika e pelo anterior Governo, de que era necessária a austeridade e a redução do poder de compra dos portugueses (como de tantos outros povos) e que o crescimento sustentável se faz com o aumento das exportações e redução do consumo privado e público.

E sustentam as teses dos que defendem que o aumento do poder de compra das populações e da dimensão dos mercados internos é um factor importante no aumento do Produto Interno Bruto de cada país.



Fernando Valdez

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