Banco Portugal espera crescimento 1,2% em 2016 e evolução moderada até 2019

Publicado em 15/12/2016 01:11 em Economia Geral

O Banco de Portugal (BPort), no seu Boletim Económico de Inverno, espera que o PIB português cresça 1,2% este ano, acelere ligeiramente para 1,4% em 2017 e estabilize em 1,5% nos dois anos seguintes.

As projecções do banco central português assentam nos pressupostos de uma moderação do consumo privado nos próximos anos, com desaceleração do crescimento do consumo de bens duradouros, uma recuperação clara da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), com maior dinamismo do investimento empresarial, e uma aceleração tanto das exportações como das importações, com o contributo da procura externa líquida para o crescimento a manter-se positiva, em torno de 0,8% a 0,9%.

O banco central admite que em 2019 o PIB deverá voltar a níveis próximos dos verificados em 2008, ano de início da crise financeira internacional.

O BPort espera que o emprego cresça a um ritmo da ordem de 1% ao ano nos próximos três anos e que a taxa de desemprego recue progressivamente, para se situar em 8,5% em 2019.

O Banco de Portugal estima que o consumo privado tenha apresentado um crescimento superior ao do PIB no terceiro trimestre, devido ao aumento do rendimento disponível das famílias, à diminuição da taxa de desemprego e à manutenção da confiança dos consumidores em níveis elevado, devido à aceleração do consumo de bens não duradouros.

Quanto à FBCF, continuou no trimestre passado a reflectir a queda da componente construção (que pesa quase metade na FBCF total), condicionada pela forte queda do investimento público.

O banco central salienta que as exportações turísticas terão mantido um dinamismo elevado no terceiro trimestre, num contexto dos crescimentos especialmente robustos dos últimos anos.

Para o último trimestre, o BPort espera que o PIB mantenha o mesmo ritmo de crescimento em termos homólogos, com aceleração do consumo privado e uma menor queda da FBCF, mas com desaceleração das exportações, não obstante o impacto positivo da realização em Lisboa da Web Summit no mês de Novembro.

O Banco de Portugal afirma que as hipóteses em que se baseia o exercício de elaboração das projecções assentam numa aceleração gradual da actividade e do comércio mundial até 2019 e num maior crescimento da procura externa dirigida à economia portuguesa, mas bastante inferior à do período de 1995 a 2007.

Espera a manutenção de taxas de juro ligeiramente negativas até 2018 e nulas em 2019 e um aumento gradual do preço das matérias-primas e do petróleo.

Antecipa que a actividade dos serviços, que pesa cerca de 74% no VAB, mantenha um perfil de aceleração moderada até 2019.

O banco central admite um aumento moderado dos salários até 2019, num cenário de aumento da produtividade.

O Banco de Portugal, a partir da ausência de convergência real do crescimento português face à zona euro, tira a conclusão de que isso «reflecte a persistência de constrangimentos estruturais ao crescimento da economia portuguesa, no qual assumem uma relevância especial os elevados níveis de endividamento dos sectores público e privado, uma evolução demográfica desfavorável e a persistência de ineficiências no mercado de trabalho e do produto, que requerem a continuação do processo de reformas estruturais».

Nas conclusões do documento, o Banco de Portugal prevê que o consumo privado tenha um crescimento inferior ao do PIB, que se registe um comportamento mais dinâmico da FBCF e que a recuperação económica continue a ser sustentada pelo dinamismo das exportações.

Acrescenta que persistem constrangimentos no elevado endividamento das empresas não financeiras, empresas e sector público.

O Banco de Portugal continua a defender que «é importante continuar a aprofundar o processo de reformas estruturais, aumentando os incentivos à inovação, à mobilidade de factores e ao investimento em capital físico e humano, criando desta forma condições para um aumento sustentado da produtividade e do potencial de crescimento da economia.

Sustenta também que «a prossecução de um esforço adicional de consolidação orçamental é crucial para que o nível de endividamento público apresente uma trajectória descendente sustentada e robusta».

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