Aumento 1,3% PIB em 2016 parece provável

Publicado em 01/12/2016 00:06 em Análise de Conjuntura

O INE divulgou hoje as Contas Nacionais Trimestrais para o terceiro trimestre de 2016 que praticamente garantem um crescimento mínimo de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) e tornam provável um aumento de 1,3% ou superior na riqueza gerada em Portugal.

Os cenários de evolução em cadeia do PIB para o quarto trimestre revelam que mesmo com uma queda de 0,2% a evolução homóloga em 2012 se manteria em 1,2%.

E bastaria um aumento em cadeia de 0,1% no último trimestre, que seria o mais baixo verificado este ano, para o crescimento anual se situar em 1,3%.

Um crescimento em cadeia de 0,5% no quarto trimestre traria um aumento anual de 1,4% na riqueza produzida em 2016 e com um acréscimo de 0,9% em cadeia o crescimento anual subiria para 1,5%

Os cenários estudados levam a apontar como mais provável um crescimento do PIB em 2016 de 1,3% (quase garantido) ou 1,4%.

O INE revela que a melhoria do comportamento na economia no terceiro trimestre se deveu a um aumento do contributo da procura externa líquida e da procura interna, esta última principalmente devido à aceleração do consumo privado, com aceleração da procura de bens não duradouros e serviços.

O que não poderá deixar de ser relacionado com as medidas adoptadas para repor o poder de compra das famílias portuguesas.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), embora continuando em terreno negativo, teve uma queda menos pronunciada, de 1,5%.

Destaque para a recuperação da FBCF em máquinas, equipamentos e sistemas de armazenamento (excluindo material de transporte), que inverteu a tendência negativa e cresceu 3,1%, apesar da contribuição negativa para este item da venda de material militar à Roménia, que estatisticamente conta como desinvestimento.

A FBCF em outras máquinas, equipamentos e sistemas de armazenamento reflecte grosso modo a FBCF na indústria, pelo que esta inversão positiva, a manter-se, poderá significar boas notícias para a economia.

A forte tendência de queda homóloga este ano, nos três primeiros trimestres, da FBCF em construção, que representa quase metade da FBCF total, estará provavelmente relacionada com as restrições ao investimento público por razões de contenção do défice orçamental.

Com um comportamento positivo ou, pelo menos, menos negativo da FBCF em construção teríamos o investimento a crescer mais e a economia a crescer mais. O que torna patentes duas coisas: que as políticas cegas dos responsáveis europeus sobre a descida rápida do défice estão a pôr em causa o crescimento económico português - e não só – e que é insustentável um serviço da dívida que absorve quase 5% da riqueza produzida em Portugal.

Reduzir a metade o serviço da dívida significaria libertar verbas para investimento público e incentivos à economia que permitiriam um aumento do crescimento económico do país para os níveis necessários (acima de 3,5% a 4%).



Fernando Valdez

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