Economia portuguesa deverá crescer entre 1,2% e 1,5% em 2016

Publicado em 18/11/2016 00:54 em Análise económica

O crescimento da economia portuguesa em 2016 vai situar-se provavelmente entre 1,2% e 1.5% em 2016, segundo projecções efectuadas pelo Falar de Economia e Tecnologia tendo em conta as estimativas provisórias do PIB para o terceiro trimestre, divulgadas pelo INE.

Bastaria que o valor do PIB no IV trimestre tivesse uma variação em cadeia nula, isto é, que se mantivesse em valor igual ao do terceiro trimestre, para que o crescimento anual atingisse 1,2%, o que significa cumprir a previsão apresentada pelo governo no quadro do OE 2017.

Partindo das estimativas provisórias do INE para o terceiro trimestre, um crescimento em cadeia de 1,3% no quarto trimestre deveria chegar para garantir um aumento homólogo de 1,3% na riqueza criada este ano, enquanto um aumento em cadeia idêntico ao verificado no terceiro trimestre (0,8%) garantiria um crescimento de 1,4%, que em meados de Agosto aqui dissemos ser possível mas difícil.

Um crescimento em cadeia de 1,2% no quarto trimestre significaria um crescimento homólogo de 1,5%, objectivo que se afigura bastante difícil.

O INE, nas suas estimativas rápidas, indicou terça-feira que no terceiro trimestre de 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 0,8% em cadeia (face ao trimestre anterior) e cresceu 1,6% em termos homólogos (comparando com o mesmo período do ano passado).

O INE aponta como principais factores de crescimento no terceiro trimestre um forte aumento das exportações de bens e serviços, que permitiu uma melhoria da procura externa líquida, e uma aceleração do consumo, particularmente de bens não duradouros.

Sabendo-se, a partir de dados do INE, que no terceiro trimestre as exportações de bens cresceram 1,8% homólogos em termos nominais e as importações 0,8%, tudo indica que terá sido o crescimento das exportações de serviços, em particular do turismo, a dinamizar a procura externa dirigida ao país.

No terceiro trimestre de 2016, só as receitas da hotelaria excederam os 1170 milhões de euros, um aumento homólogo de 15,6%.

Os cálculos em médias móveis de três meses (MM3M), que permitem uma análise mais estabilizada sem ser excessivamente pesada, revelam que o volume de negócios no comércio a retalho tem progredido sustentadamente desde o trimestre terminado em Abril, com destaque para as vendas de alimentação, bebidas e tabaco, mas também nos produtos não alimentares.

Em valor, o volume de negócios do retalho no terceiro trimestre terá sido mais de 12% superior ao do segundo, olhando para os dados do INE.

A melhoria da confiança dos consumidores em Outubro, tal como em Setembro, e a época natalícia levam a admitir que o consumo mantenha uma tendência favorável no último trimestre.

Também o volume de negócios nos serviços, apresentou ao longo do ano em MM3M uma tendência de melhoria e ficou no terceiro trimestre quase 5% acima do verificado no segundo.

O parâmetro mais negativo è o investimento. Não se dispõe dos valores mais consolidados das Contas Nacionais Trimestrais, mas alguns indicadores disponíveis apontam no sentido de uma evolução desfavorável.

As vendas industriais portuguesas de bens de investimento para o mercado nacional caíram em termos nominais 13,4% entre o segundo e o terceiro trimestres e a produção total de bens de investimento, para os mercados interno e externo, baixou 14,2%, neste caso em volume.

A produção da construção diminuiu 1,9% no terceiro trimestre face ao segundo mas partindo de uma base muito baixa. A produção situa-se actualmente em pouco mais de metade da registada em 2010, sendo em Setembro, no caso da engenharia civil (obras públicas), menos de metade da verificada exactamente seis anos antes.

A queda do investimento em Portugal é particularmente preocupante e um dos maiores obstáculos ao alcançar do nível de crescimento económico de que o país precisa. E que não é compatível com a venda, quantas vezes ao desbarato, a estrangeiros do capital de empresas do sector público, cujas receitas eram contabilizadas como investimento privado mas não contribuíam – pelo contrário – para o aumento da criação de riqueza

Para alavancar o crescimento económico nacional é indispensável, além do aumento do poder de compra das famílias, do incentivo às pequenas e médias empresas nacionais e ao lançamento de novas empresas, principalmente de base tecnológica, um forte reforço do investimento público, neste último caso ao invés do que o governo de Passos Coelho e o actual têm vindo a fazer.

O que implica o Governo português confrontar-se com a Comissão Europeia, com o sr Dijsselbloem e o sr Schauble e deixar de aceitar a redução acelerada do défice orçamental. Porque a forma saudável e sustentada de fazer descer o défice orçamental e da dívida passa pelo crescimento económico, mas também pela renegociação das condições de pagamento (prazos e juros) de uma dívida que asfixia a economia nacional.



Fernando Valdez



Nota: esta análise saiu com atraso em relação à divulgação dos dados pelo INE, pelo qual peço desculpa.

Atraso que se ficou a dever a uma situação de febre alta com início segunda feira e que se prolongou pela primeira metade da semana, retirando-me capacidade para este exercício, que implica analisar vários indicadores. Quase restabelecido, vou retomar sexta-feira as notícias de tecnologia, sem prejuízo de outras de economia.

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