Economia portuguesa dificilmente crescerá 1,4% em 2016

Publicado em 14/08/2016 00:29 em Análise de Conjuntura

A economia dificilmente atingirá um crescimento de 1,4% em 2016 e o cenário mais plausível é que não vá muito além de 1%, tendo em conta as estimativas preliminares do INE para o segundo trimestre, que apontam para um crescimento homólogo do PIB de 0,8%.

Contas feitas pelo Falar de Economia e Tecnologia, com o pressuposto de que o crescimento homólogo no segundo trimestre foi de 0,80000%, verifica-se que, mesmo com um cenário bastante optimista, o crescimento económico em 2016 não ultrapassaria 1,4%, depois de na primeira metade do ano não ir além de 0,9%.

O INE divulgou sexta-feira estimativas preliminares das Contas Nacionais Trimestrais que indicam que se registou no segundo trimestre um aumento menos intenso do consumo privado e uma redução mais expressiva do investimento.

A procura externa líquida (exportações menos importações de bens e serviços) teve um contributo ligeiramente positivo devido à desaceleração das importações de bens e serviços.

As despesas de consumo das famílias aceleraram no primeiro trimestre e cresceram 2,9%, com as expectativas positivas de redução a metade o adicional ao IRS, início da reposição dos salários da função pública ao trabalhadores com ordenado bruto acima de milhar e meio de euros e aumento do salário mínimo em 25 euros, para 530 euros.

Em termos macroeconómicos, o aumento de 25 euros do salário mínimo português, que se mantém apenas num nível de subsistência, e a opção (justa) de começar por eliminar o adicional de IRS para os rendimentos mais baixos, não tem efeitos significativos no consumo privado e o aumento de alguns impostos, designadamente sobre os combustíveis, tem um efeito contrário.

O que poderá dinamizar mais o PIB na óptica da despesa é a reposição dos salários brutos dos trabalhadores do sector público que ganhavam acima dos 1500 euros e sofreram cortes, mas que porá aqueles trabalhadores a ganhar ao nível nominal de 2009 no fim de 2016.

Tal representará uma significativa perda real de poder de compra, dado que, admitindo que a inflação média de 2016 se manterá nos actuais 0,6%, a inflação acumulada desde 2009 atinge 9,3%.

O Falar de Economia e Tecnologia admitiu como cenário favorável um crescimento homólogo do PIB de 1,4% no terceiro trimestre, beneficiando do bom comportamento da procura turística, e um crescimento homólogo de 2,5% no último trimestre, impulsionado pela devolução da totalidade dos cortes salariais do sector público, pelo Natal e pelo investimento no início da reconstrução de casas e outros bens destruídos pelos terríveis incêndios.

Neste cenário optimista o crescimento anual da economia portuguesa ficaria em 1,4%.

Num cenário de aceleração do crescimento homólogo para 1,2% no terceiro e no quarto trimestres, o crescimento do PIB ficaria em cerca de 1% este ano e se chegasse a 1,4% nos dois últimos trimestres o produto aumentaria 1,1%.

O crescimento português está a ser afectado pelo abrandamento económico em países que são clientes importantes dos produtos portugueses, como Angola e China.

Os últimos dados do indicador económico do Instituto de Conjuntura alemão Ifo apontam para um forte declínio do clima económico na Ásia no terceiro trimestre, para o valor mais baixo dos últimos sete anos.

O Ifo aponta para uma retracção do clima económico mundial, que se verifica também na zona euro e na Europa, para onde se dirige a maior fatia das exportações nacionais, e nos Estados Unidos, o que torna particularmente difícil a tarefa de fazer regressar o país a um crescimento mais sólido.



Fernando Valdez

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