PIB português cresceu 0,9% no primeiro trimestre 2016

Publicado em 01/06/2016 00:09 em Análise de Conjuntura

O Produto Interno Bruto (PIB) teve um crescimento homólogo (face ao mesmo período do ano anterior) de 0,9% em volume no primeiro trimestre de 2016, em desaceleração, indicou o INE.

O crescimento insuficiente da riqueza produzida deve-se em particular a um contributo bastante negativo da procura externa líquida (menos 1,1 pontos percentuais), segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística.

O limitado contributo da procura interna (2,0 pontos percentuais) explica também o crescimento algo desapontador registado nos primeiros três meses do ano, o que poderá eventualmente ser corrigido, em parte, com a anunciada estratégia do governo de incentivar o consumo privado.

O Governo, para atingir a meta de crescimento de 1,8% no conjunto de 2016, tem pela frente uma meta exigente, particularmente em contexto de crise internacional, mas não impossível. Para atingir a meta de crescimento que o executivo se propôs, a economia deverá crescer em termos homólogos a um ritmo trimestral da ordem dos 2%.

Para além da dinamização do consumo privado, que acelerou para um crescimento de 2,9% no primeiro trimestre, será determinante a recuperação do investimento, que caiu 0,6% no primeiro trimestre, em particular devido à forte queda (menos 3,9%) do investimento em construção.

Também o investimento em máquinas e equipamentos caiu 4,2%, embora este segmento tenha menos peso na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF).

A chave poderia estar nas exportações, que cresceram 7,1% no primeiro trimestre do ano passado, desaceleraram até 2,8% no último trimestre de 2015 (ainda com o Governo Passos / Portas) e voltaram a abrandar para 2,2% no primeiro trimestre deste ano.

Mas essa é uma tarefa difícil quando no primeiro trimestre de 2016 as vendas a Angola, que um ano antes era o sexto maior cliente de Portugal, baixaram 45,0% e as vendas à China caíram 32,9%.

Dado que as exportações de serviços, em que avulta o turismo, deverão ter um bom comportamento pelo menos no segundo e terceiro trimestres, esse é um factor quel poderá ajudar o crescimento económico nacional.

E com uma melhoria do investimento, em particular beneficiando da utilização de fundos comunitários, o Governo poderá atingir a sua meta de crescimento ou, pelo menos, aproximar-se as exportações de bens não mantiver a tendência de forte desaceleração que se verificou nos últimos trimestres e recuperarem.



Fernando Valdez



Nota: o facto de não estar a conseguir aceder ao sítio Internet do INE, impede-me de fazer uma análise mais desagregada, como desejaria. Poderei voltar a este tema caso se justifique.

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