Governo EUA pediu pelo menos 63 vezes a Apple e Google para violarem telemóveis

Governo EUA pediu pelo menos 63 vezes a Apple e Google para violarem telemóveisPublicado em 05/04/2016 00:50 em Segurança Informática

A empresa de segurança informática Sophos, num texto no seu blog oficial assinado por Lisa Vaas, garante que as autoridades dos Estados Unidos pediram à Apple e à Google para violarem a segurança de telemóveis, ao contrário do que o governo dos EUA procura fazer crer.

As autoridades policiais dos Estados Unidos reclamaram à Apple que criasse uma «backdoor» que permitisse saber o conteúdo de um iPhone de um terrorista, alegando que se tratava de um pedido isolado em função da segurança nacional.

Mas desde logo a Apple denunciou que não se tratava de um caso isolado e teve o apoio de vários gigantes da Internet e das tecnologias da informação, incluindo o Google.

A Sophos sublinha que esta revelação indica que, ao contrário daquilo que o FBI sustentava, o que estava em causa era bem mais do que um telefone.

Cita a ACLU –União Americana das Liberdades Civis, que garante que nos últimos oito anos houve pelo menos 63 pedidos de desbloqueamentos de telemóveis, incluindo com base em legislação do século XVIII (1789), pedindo à Apple, Google e outros fabricantes acesso a dados dos smartphones.

A ACLU indica que cerca de nove em cada dez casos envolveram a Apple mas 10% visaram a Google.

A Apple indicou que se mantêm pendentes 12 casos de litígio com as autoridades policiais dos Estados Unidos.

Os dados revelam que as autoridades pedem acessos a telemóveis que alegam ser de suspeitos de crimes, desde terrorismo, a narcotráfico ou pornografia infantil.

A Forbes afirma que as autoridades tiveram acesso aos dados de alguns smartphones forçando os respectivos proprietários a aporem o dedo para os desbloquear através da impressão digital.

As empresas tecnológicas sustentam que não é possível criar «backdoors» ou qualquer tecnologia para acesso aos dados encriptados dos smartphones, porque isso abriria uma caixa de Pandora que introduziria uma insegurança generalizada dos dispositivos.

Os analistas salientam que, por exemplo para a Apple, que tem enormes vendas na China, a existência dessa possibilidade afectaria fortemente as vendas dos fabricantes no estrangeiro.

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