Com disrupção tecnológica, uns vão liderar outros ficar para trás

Publicado em 14/03/2016 22:35 em Empresas

Com a disrupção tecnológica algumas organizações vão liderar, as que inovam e usam canais digitais, e outras ficar para trás, sublinhou hoje António Raposo de Lima, presidente da IBM Portugal.

Falando na apresentação do estudo «Redefining Boundaries: Insights from Global C-suite Study», o responsável da IBM sublinhou que as conclusões do estudo permitem reflectir sobre as grandes tendências, desafios e oportunidades que se colocam aos líderes das empresas e organizações para se transformarem em organizações de sucesso.

Raposo de Lima salientou que a disrupção digital levou a uma quebra das barreiras de entrada em praticamente todos os sectores, o que revoluciona as indústrias e cria novos e inovadores modelos de negócio.

O presidente da IBM Portugal salientou que quatro quintos do grande volume de dados produzido no mundo são não estruturados e se não se consegue extrair informação não servem para nada, apontando como saída o software de «cognitive computing», como é o caso do IBM Watson.

O estudo, hoje apresentado em Lisboa perante uma plateia de executivos, foi realizado através de entrevistas a 5247 gestores de topo de empresas públicas e privadas de 21 sectores, efectuado em mais de sete dezenas de países, incluindo Portugal, onde foram questionados 37 executivos.

José Manuel Paraíso, director de Global Business Services da IBM Portugal, salientou que a maioria dos líderes empresariais referiu a tecnologia como o principal factor disruptivo e o principal factor externo de mudança das organizações.

Indicou que quase um quarto (24%) das empresas inquiridas são «pioneiros» (utilizadores iniciais da tecnologia e inovação), 42% são seguidores da tendência e 34% são os últimos a adoptar a inovação tecnológica.

José Manuel Paraíso revelou que entre os pioneiros 20% obtêm resultados superiores aos dos seus pares, percentagem que desce para 5% entre os seguidores e para 2% entre os que adoptam tardiamente as transformações digitais.

Observou que os pioneiros adoptam novas tendências em função do «feed back» dos seus clientes, com quem interagem por canais digitais, enquanto os outros geralmente reagem ao que fazem os seus concorrentes.

Os inquiridos indicaram que os principais factores de transformação do panorama competitivo são os tecnológicos (72%), os de mercado (71%), as preocupações de regulação (55%), macroeconómicos (51%) e competências dos trabalhadores (48%).

Quanto às tecnologias mais importantes no curto prazo, 63% dos interrogados citaram o cloud computing, 61% as soluções móveis, 57% a Internet das Coisas (IoT), ficando a computação cognitiva em quarto lugar com 37%, seguida das tecnologias industriais avançadas, com 28%.

Contudo, José Manuel Paraíso salienta que para os pioneiros o factor mais citado como o mais importante foi a computação cognitiva.

O director da IBM Portugal salientou que os executivos inquiridos esperam que a convergência sectorial tenha grande impacto nos seus negócios, com empresas que usam as tecnologias para entrarem em sectores novos, citando um gestor da área seguradora que considerou como a maior ameaça os novos concorrentes que ainda não foram identificados como concorrentes.

Assinalou que no caso das tecnologias da informação é comum surgirem novos actores no negócio a fazer concorrência às empresas tradicionais, como aconteceu, por exemplo, com o Google e a Amazon.

Os executivos inquiridos indicaram que, à medida que mais e mais dispositivos estão ligados em rede, crescem os riscos de segurança.

Apontaram como principais riscos os ataques informáticos (68%) os danos de reputação (36%), os riscos financeiros e as violações às disposições regulatórias (ambas com 35%), problemas de dados (30%), disrupção da força de trabalho (27%), perda de propriedade intelectual (25%) e períodos alargados de inactividade.

O estudo, levado a cabo pelo Institute for Business Value, da IBM, revela que os executivos utilizam sobretudo técnicas tradicionais para identificar novas tendências, destacando-se o «brain storming», indicado por 80%, analítica preditiva (63%), simulações (51%), mas que apenas 13% apontam para a computação cognitiva.

Adianta que os pioneiros apostam mais em tecnologias emergentes, como a computação cognitiva, apontada por 48%, tecnologias industriais avançadas (30%) e novas fontes e soluções energéticas (28%).

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