ACAP prevê aumentos vendas ligeiros de 6% em 2016 e 4% em 2017

Publicado em 03/02/2016 22:53 em Notícias economia

A Associação Automóvel de Portugal (ACAP) previu hoje que as vendas de automóveis ligeiros novos em Portugal cresçam 6% no ano em curso e aumentem 4% em 2017, dados que não têm ainda em conta as medidas de fiscalidade anunciadas terça feira e hoje.

Em conferência de imprensa para balanço do mercado automóvel em Portugal e previsões para o futuro, o Presidente da ACAP, Jorge Rosa, indicou que a associação espera para os ligeiros de passageiros vendas de 188 mil automóveis em 2016 (mais 5%) e 194 mil em 2017 (mais 3%) e nos comerciais ligeiros 33 mil unidades este ano (mais 7%) e 36 mil no próximo (mais 9%).

O secretário-geral da ACAP, Hélder Pedro, manifestou «estupefacção» com as notícias de aumento da fiscalidade automóvel no próximo Orçamento de Estado para 2016 (OE 2016) porque o sector tem já uma carga fiscal muito elevada, das maiores da Europa, carga fiscal que tem vindo a aumentar nos últimos anos.

Recordou que os países com indústria automóvel, como Portugal, têm normalmente uma menor carga fiscal sobre o sector e considerou que o automóvel atingiu já o nível de fadiga fiscal, que pode levar a que ao aumento de impostos corresponda uma quebra de receitas por redução das compras, admitindo que esse aumento possa levar ao encerramento de empresas e despedimentos no sector.

Hélder Pedro afirmou que o Estado recolheu no ano passado 573,4 milhões de euros em imposto sobre veículos (ISV) e que o Imposto Único de Circulação (IUC) rendeu ao Estado 286,3 milhões de euros e às autarquias 238,3 milhões de euros, o que totaliza quase 1,1 mil milhões de euros.

Jorge Rosa indicou que, segundo o INE, o sector da indústria automóvel (produção de veículos e componentes) teve em 2014 um volume de negócios de 6,5 mil milhões de euros realizados por 417 sociedades, e empregou 31 700 trabalhadores.

Os veículos automóveis foram o produto mais exportado em Portugal, representando 11.1% das exportações, e tem uma taxa de cobertura das importações pelas exportações de 80%, acrescentou.

O presidente da ACAP indicou que as quatro fábricas existentes em Portugal produziram 156 626 veículos em 2015, dos quais 96% se destinaram a exportação.

Adiantou que o comércio, manutenção e reparação automóvel facturou 14,3 mil milhões de euros em 2014 (INE), ano em que as 32 700 empresas empregavam 115 400 trabalhadores.

Os dirigentes da ACAP defendem que o crescimento das vendas de automóveis em 2013, 2014 e 2015 não foram mais do que uma recuperação face à queda abrupta entre 2010 e 2012, para muito menos de metade.

Em 2015 foram vendidos cerca de 150 mil veículos menos do que em 2001, primeiro ano do século XXI.

José Ramos, vice-presidente da ACAP afirmou que o governo anterior não ouvia o sector e era criticado por quem faz parte do actual, «agora este que não faça como eles».

Perguntou se será preciso pôr as frotas das empresas do sector «a bloquear isto tudo».

Os dirigentes da ACAP sublinharam que em 2010 as vendas ligeiros de passageiros importados usados representavam 11% das vendas de novos, em 2015 representaram 25%, o que José Ramos sublinha por em causa a segurança rodoviária e levar a um aumento das emissões poluentes.

Na última década e meia, a idade média do parque automóvel agravou-se significativamente, seguindo os dados da ACAP, e a idade média dos veículos entregues para abate nos centros da Valorcar passou de 16 anos e meio em 2007para 20 anos em 2015.

A agenda da ACAP para 2016 prevê o acompanhamento da discussão do IOE 2016 e o pedido de reuniões com todos os grupos parlamentares logo que o orçamento seja entregue, a proposta de reactivação de uma subcomissão parlamentar para o sector automóvel no âmbito da Comissão parlamentar de Economia e a obrigatoriedade de indicação dos quilómetros dos veículos usados, como acontece na Bélgica e na Holanda.

O presidente da ACAP revelou que a ACAP está empenhada na criação de um «cluster» automóvel que envolva a associação de fabricantes de componentes para automóveis, toda a indústria e universidades e que sirva também para atrair para Portugal novos investimentos para a indústria automóvel.

Na agenda da ACAP estão também diligências para alterar as regras de pagamento de portagens.

José Ramos salientou que o desgaste das auto-estradas é função do peso dos veículos e não de outros factores e discordou de que praticamente todos os veículos comerciais estejam na classe 2, enquanto Hélder Pedro propôs que todos os veículos até 3500 quilos fiquem na classe 1.

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