Menos de um terço empresas nacionais sabem do mercado único digital

Publicado em 22/12/2015 23:56 em Empresas

Em Portugal apenas 30% dos responsáveis das empresas têm conhecimento do projecto de mercado único digital europeu, sendo que nos 15 países estudados pela Ricoh a percentagem dos líderes empresariais que o conhecem são cerca de 51%.

A Itália e a França com 70%, a Espanha com 65%, a Alemanha com 61% e o Reino Unido com 57% são os países onde os dirigentes empresariais estão mais a par mercado único digital.

No entanto, depois de Portugal surgem a Bélgica e Luxemburgo, onde só 29% conhecem o mercado único digital europeu e a percentagem ainda é mais baixa nos países nórdicos (Dinamarca, Suécia e Finlândia), onde em média apenas 28% têm conhecimento.

Cerca de 92% das empresas portuguesas consideram que não estão preparadas para o mercado único digital, percentagem idêntica às do Reino Unido e Espanha, mas o país surge à frente da França e Alemanha, onde 95% das companhias afirmam não estar preparadas, e da Bélgica e Luxemburgo, onde a percentagem é de 94%.

A pior situação é a da Polónia, onde 97% dos líderes empresariais consideram que as suas firmas não estão preparadas.

As melhores situações citadas no relatório da Ricoh, multinacional japonesa especializada na área de impressão e gestão documental, são as da Holanda, com 86% que não se consideram preparados, Áustria (88%), países nórdicos (90%) e Itália (91%).

Os que se consideram «melhor» preparados para o mercado são gestores de países onde as percentagens de preparados variam entre 14% e 9%, o que não parece um panorama muito animador para a adopção de uma legislação que a Comissão Europeia entende ser a mais disruptiva da última década e estima os seus benefícios em 415 mil milhões de euros.

O relatório da Ricoh salienta que a situação é especialmente preocupante se tivermos em conta que apenas 7% das pequenas e médias empresas (PME) da União Europeia (UE) vendem para mercados externos.

O estudo revela que mais de metade (56%) dos responsáveis empresariais considera que podem beneficiar de um mercado único digital por um aumento do número de consumidores, enquanto 52% o encaram como uma oportunidade para entrar noutros mercados europeus, mas quase um quarto (24%) dos entrevistados não acreditam que as suas empresas tenham qualquer benefício e preocupam-se com o impacto que o mercado único terá na sua estrutura, devido ao acréscimo de concorrência, implicações a nível de custos e a falta de recursos, nomeadamente tecnológicos, para aproveitar essa oportunidade.

Um cepticismo que a Ricoh relaciona com o facto de apenas 9% dos líderes empresariais europeus entrevistados terem classificado o respectivo país como «muito forte» na tecnologia digital, aptidões e infra-estrutura.

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