Mais 3 milhões portugueses fazem compras online

Publicado em 24/09/2015 02:12 em Internet

Mais de 3 milhões de consumidores portugueses deverão fazer compras na Internet este ano, com uma despesa de cerca de 3 mil milhões de euros, indicou Alexandre Nilo Fonseca, presidente da ACEPI –Associação da Economia Digital.

Nilo Fonseca, em declarações ao Falar de Economia e Tecnologia, num balanço da semana da Internet («Portugal Internet Week 2015»), a decorrer de 21 a 25 de Setembro, salientou que a iniciativa foi marcada pela divulgação de números do comércio electrónico mundial e pela apresentação dos resultados do estudo da IDC sobre a economia digital em Portugal no período 2009/2020.

Destacou que a «Portugal Internet Week», que vem na continuidade das semanas do comércio electrónico, também organizadas pela ACEPI, é «o evento de referência da economia digital em Portugal».

O presidente da ACEPI assinalou que a ultrapassagem da Europa pela região Ásia/Pacífico nos números do comércio da Internet e o facto de a China ter ultrapassado os Estados Unidos no valor do comércio electrónico constituem situações novas na evolução do comércio na Internet.

Adiantou que no ano passado mais de 1 100 milhões de pessoas no planeta fizeram compras por Internet, gastando 1 943 milhões de dólares (mais 24% do que em 2013), e que 309 milhões fizeram compras em lojas online de países estrangeiros.

A China liderou nas compras electrónicas em 2014, com 538 mil milhões de dólares, seguida dos Estados Unidos (483 mil milhões de dólares), do Reino Unido (169 milhões de dólares), do Japão (136 mil milhões de dólares), da Alemanha (95 mil milhões de dólares) e da França (75 mil milhões de dólares).

O responsável da ACEPI destaca que os consumidores chineses, dos Estados Unidos e britânicos representaram em conjunto no ano passado mais de metade do volume de compras electrónicas.

Este ano, prevê-se que as compras por Internet atinjam 2,25 biliões de dólares, representando 5,9% das vendas de bens e serviços a retalho.

Alexandre Nilo Fonseca, com base no estudo da IDC, disse que 70% dos portugueses utilizam a Internet, esperando-se que até 2020 essa percentagem atinja os 85%.

Dois quintos dos utilizadores de Internet, correspondentes a 29% da população residente , faz compras na Internet, sendo que 53% são homens e 47% mulheres.

O número de consumidores nacionais que fizeram compras online passou de 1,9 milhões em 2011 para 2,3 milhões em 2012, 2,5 milhões em 29013 e 2,7 milhões em 2014 e a IDC prevê que atinja os 3,1 milhões no ano em curso.

O presidente da ACEPI destacou que os produtos e serviços que os portugueses mais compram por Internet são artigos de electrónica de consumo, moda e vestuário, serviços de viagens, turismo e alojamento e livros e conteúdos culturais.

Nilo Fonseca indicou que 72% dos consumidores nacionais que compram online utilizam também lojas estrangeiras mas considerou preocupante que quase metade (48%) indique que compra predominantemente em lojas online estrangeiras.

Sublinhou que a situação hoje é que há muitos portugueses a comprar em lojas online estrangeiras mas poucos consumidores estrangeiros a comprar por Internet a lojas portuguesas, observando que tudo o que possa afectar o preço final, incluindo a taxa de IVA aplicada, condiciona a escolha da loja online a que se recorre.

O presidente da ACEPI observou que a economia digital é claramente uma área que permite apostar na competitividade e na internacionalização e é importante que se adoptem políticas públicas direccionadas para dinamizar esta área.

Relativamente às empresas nacionais, Alexandre Nilo Fonseca sublinhou que só cerca de 30% das empresas têm presença na Internet, nomeadamente com sítios Internet próprios, presença nas redes sociais e outros meios, e só 10% vendem online.

Salientou que isso quer dizer que a revolução digital está a passar ao lado da maior parte das empresas portuguesas, revelando que a maior parte dos que gerem as empresas são desconhecedores das matérias da economia digital.

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