O site Falar de Economia e Tecnologia mantém o português, recusa o acordo de 1990

Publicado em 14/05/2015 00:02 em Opinião

O governo decidiu tornar obrigatório o acordo ortográfico, julgo que antecipando o fim do período transitório que terminaria - cito de cor - no segundo trimestre de 2015. De sublinhar que Portugal é o único dos oito países de língua portuguesa que tornou obrigatória esta grafia. O Brasil, que mantém quase inalterada a sua grafia, não o fez e Angola e Moçambique nem sequer ratificaram o acordo.

Na minha opinião a língua vai evoluindo e a ortografia vai acompanhando essa evolução de forma natural e gradual.

Mas as línguas ou a sua ortografia não se mudam artificialmente por decreto. Essa mudança deve seguir alterações que se vão impondo na língua.

Diferente é quando se faz um acordo em cima do joelho, por mais respeitáveis que sejam os participantes na sua negociação. No português europeu erudito, o «p» de Egipto e de egípcio sempre se leu. Pelas regras gerais daquele acordo, o «p» deveria manter-se no português europeu. Mas, como no Brasil não se lê, um dos exemplos constantes do famigerado acordo é que se escreve Egito, apesar de este exemplo contrariar a regra geral. No entanto, no português europeu continua a escrever-se egípcio, de acordo com a regra geral.

Além disso, a falta de conhecimento do acordo por parte de muitos leva a que, por exemplo, substituam erroneamente «facto» (cujo «c» é lido), por «fato».

Substituir «espectador» (em que o «c» é lido no português erudito) por «espetador» (aquele que espeta algo), tal como muitas outras novas grafias que pelas regras de leitura do português conduzem a formas fonéticas muito diferentes das actuais, conduzindo inapelavelmente a curto médio prazo à degradação do português falado.

Em electricidade o «c» não se lê. Mas esse «c» faz parte de muitas línguas com regras diferentes do português, quer em línguas latinas (electricité, francês), quer em linguas anglo-saxónicas (electricity, inglês). Não percebo a lógica da queda deste «c».

Os exemplos da falta de senso daquele acordo ortográfico multiplicam-se.



Por isso, vou continuar a falar e a escrever em português. E no meu sítio Internet vou continuar a escrever em português, fazendo também da língua portuguesa a minha pátria, ainda que não no exacto sentido que Pessoa pretenderia com a frase.



Fernando Valdez

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