Nasce um gigante da indústria de telecomunicações

Publicado em 15/04/2015 18:03 em Destaques

A Nokia e a Alcatel-Lucent (ALU) anunciaram um acordo no qual a Nokia faz uma oferta por todas as acções da ALU na base da troca de 1 acção da Alcatel-Lucent por 0,55 acções da companhia resultante, que se denominará Nokia Corporation.

O memorando de entendimento (MoU), já aprovado pelas administrações das duas companhias, prevê que os accionistas da actual Nokia fiquem com quase dois terços (66,5%) da multinacional resultante da fusão e os accionistas da actual ALU detenham um pouco mais de um terço (33,5%).

O comunicado divulgado aos mercados de valores adianta que os termos da troca significam representam um prémio de 28% para os accionistas da ALU, equivalente a 4,27 euros por acção, face à cotação média dos últimos três meses.

A newsletter Telecoms.com calcula que o negócio valoriza a Alcatel-Lucent em 15,6 mil milhões de euros.

Risto Siilasmaa, actual presidente da Nokia, e Rsajeev Suri, CEO da Nokia, manterão idênticas funções na nova companhia, que terá uma administração de nove ou 10 membros, sendo três, um dos quais será vice-presidente, designados pelos accionistas da Alcatel-Lucent.

A Nova Nokia Corporation terá sede na Finlândia e terá negócios estratégicos e centros de I&D em França e em vários outros países, incluindo Alemanha, Estado Unidos e China.

O comunicado ao mercado de valores mobiliários indica que a soma das duas companhias representou no ano passado vendas de 25,9 mil milhões de euros, resultados operacionais não IFRS de 2,3 mil milhões de euros e um investimento em investigação e desenvolvimento (I&D) de 4,7 mil milhões de euros.

Por comparação, em 2014 o volume de negócios da chinesa Huawei (que inclui outras áreas de negócios, como dispositivos móveis e outras) foi o equivalente a 43,6 mil milhões de euros, com o Carrier Business Group da Huawei a facturar 29,0 mil milhões de euros, e as receitas da sueca Ericsson equivaleram a 24,45 mil milhões de euros.

Acrescenta que a nova companhia tem como objectivo conseguir sinergias de 900 milhões de euros em custos operacionais, a serem plenamente atingidas no ano de 2019, e reduções de despesas com juros de 200 milhões de euros a partir de 2017.

AS sinergias operacionais decorrerão de racionalização de produtos e serviços, funções centrais e racionalização das estruturas regionais de vendas, da redução de custos imobiliários, de produção e na cadeia de fornecedores, em tecnologias da informação e de custos administrativos e outros custos redundantes.

As duas empresas prevêem que o negócio possa estar concluído ainda no primeiro semestre, estando condicionado às aprovações das autoridades de regulação.

O comunicado diz que a companhia resultante da fusão terá uma posição sem paralelo na criação de uma conectividade das pessoas e das coisas onde quer que estejam, essencial para tornar possível a nova onda de mudança tecnológica, que inclui a Internet das coisas (IoT, na sigla inglesa) e a transição para a «cloud» (nuvem).

Adianta que as duas companhias têm 40 mil pessoas a trabalhar na área de I&D e a empresa resultante está em posição de acelerar o desenvolvimento das tecnologias do futuro, incluindo a tecnologia móvel de quinta geração (5G) e redes IP definidas por software.

As empresas esperam que a conjugação das suas competências e da sua forte presença complementar nos Estados Unidos, China, Europa e Ásia/Pacífico oportunidades acrescidas de crescimento a longo prazo.

Rajeev Suri, CEO da Nokia, citado no comunicado, destaca a capacidade de investigação e desenvolvimento que decorre da junção de competências dos laboratórios da Nokia e da ALU, em particular os icónicos Bell Labs (laboratórios de investigação da antiga Lucent nos Estados Unidos.

Suri destaca a complementaridade das tecnologias e competências da Nokia e da Alcatel Lucent e a forte presença em todo o mundo que resultará da conjugação das duas companhias, concluindo que este foi «o negócio certo, na lógica certa e no tempo certo».

Michel Combes, CEO da Alcatel-Lucent, também citado no comunicado aos mercados, garante que a junção das duas companhias «oferece uma oportunidade única para criar um campeão europeu e líder global em ultra banda larga, redes IP e aplicações na nuvem».

Assinala que a nova empresa terá a força financeira e a escala crítica necessárias para conseguir a transformação e investir no desenvolvimento da nova geração de tecnologias de rede.

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