Preço é o principal factor de compras online

Publicado em 23/10/2014 02:07 em Internet

A principal razão para comprar online é o preço (cerca de 70% dos casos) e a segunda razão é a procura de produtos que não existem em Portugal, indicou Sónia Passos, directora de serviços na Direcção-Geral do Consumidor.

Falando no Fórum da Economia Digital, organizado pela ACEPI – Associação da Economia Digital, Sofia Passos adiantou que o aumento das compras online traz um aumento da litigância em conflitos de resoução difícil, nomeadamente em casos em que os sítios Internet mudaram de país ou deixaram de existir.

Salientou que muitos utilizadores da Internet não compram online porque tiveram más experiências ou porque não estão familiarizados com a Internet ou porque têm receio de recorrer a esse meio.

Sofia Passos recordou que há legislação europeia que regula as compras electrónicas, mas reconheceu que tem aspectos menos adequados porque, além do comércio electrónico, se aplica também a todas as outras situações de vendas fora das lojas físicas.

Luísa Gueifão, presidente da DNS.pt, organização que gere os domínios Internet .pt, destacou que quem compra online pretende segurança na transacção, confiança na loja, rapidez e cumprimento dos prazos na entrega e garantia de que o que recebe corresponde ao que encomendou.

Defendeu que a proximidade e o reconhecimento de quem está a vender online gera sentimentos de segurança e confiança, o que significa que os sítios Internet com o domínio nacional .pt geram mais confiança do que aqueles com um domínio genérico, como o .com, tanto mais que muitas empresas online não dão indicações sobre o seu endereço ou localização.

Revelou que o número de domínios .pt cresceu 12% no último ano.

João Confraria, administrador da ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações, disse que há alguns anos acreditou que o comércio electrónico seria importante para aumentar as exportações de países pequenos como Portugal, mas essa expectativa não se confirmou, porque as compras são normalmente feitas em lojas Internet do próprio país, o que revela que os internautas têm em conta a sua experiência no mundo real.

João Confraria considerou que a regulação nem sempre tem funcionado muito bem porque a maior parte das entidades de supervisão sectorial não têm muita intervenção na área das compras Internet, em parte porque acham que essas questões não são com elas.

Renato Faria, da McKinsey, indicou que as vendas online representam 1% das vendas retalhistas totais, muito abaixo dos 8% que se verificam no Reino Unido.

Destacou que as empresas mais activas no comércio electrónico em Portugal têm em média maiores taxas de crescimento e de exportações.

Armando Almeida, presidente da PT Portugal, destacou que as pequenas e médias empresas (PME) têm reduzida capacidade de investimento e de acesso a fundos, o que limita a sua capacidade de entrar na área digital, a que se junta a falta de «know how» (conhecimento) sobre a venda dos seus produtos online.

Sublinhou que Portugal, no conjunto dos operadores de telecomunicações, tem das maiores e melhores coberturas de redes de fibras óptica e de redes móveis 4G da Europa e do mundo e que a PT dispõe de um dos maiores centros de dados a nível mundial, o que significa que há infra-estruturas suficientes no país.

Afirmou que a PT investiu nos últimos quatro anos 700 milhões de euros em investigação e desenvolvimento (I&D), é tacnologicamente muito forte e quer pôr essa tecnologia ao serviço das PME.

Armando Almeida aproveitou a sua intervenção para reafirmar que não haverá despedimentos de trabalhadores da PT Portugal e haverá um melhor e mais eficiente aproveitamento dos recursos humanos da empresa.

Fernando Adão da Fonseca, administrador executivo da UNICRE (gestora de cartões de crédito) salientou que o risco de comprar por Internet em lojas que só têm presença online é maior do que naquelas que também têm prresença física, onde esse risco é muito baixo.

Defendeu que na área dos pagamentos online os consumidores estão relativamente defendidos mas considerou que os bancos põem muitas restrições à utilização de cartões de débito (que representam quatro quintos dos cartões) nas compras online.

Fernando Adão da Fonseca revelou que a UNICRE está a posicionar-se para prestar serviços em Espanha, o que implica adaptações de equipamentos.

Ainda sem comentários