Jorge Martins é novo CEO da Capgemini Portugal

Publicado em 01/10/2014 01:29 em Empresas

A Capgemini Portugal anunciou hoje que Jorge Martins é o novo CEO da filial portuguesa da multinacional de consultoria, substituindo Paulo Morgado, que assumiu funções de CEO da Capgemini Espanha e de responsável máximo ibérico.

Em encontro com a imprensa, os responsáveis da Capgemini anunciaram que as mudanças ocorreram em Julho mas só agora foram anunciadas. Paulo Morgado acumula as funções em Espanha com a presidência da Capgemini Portugal.

Jorge Martins indicou que a Capgemini Portugal vai manter a aposta na consultoria de gestão e de áreas tecnológicas, continuando a juntar as duas vertentes, situação pouco comum nas consultoras.

Destacou que o Centro tecnolólógico de Évora, que abre em breve, vai dedicar-se à área de CRM (Gestão de Relações com Clientes) e a uma segunda área a criar, a Megatronics, que junta a engenharia às tecnologias da informação (TI), vocacionada para apoiar empresas que operam no sector aeronáutico.

Jorge Martins sublinhou que o centro de Évora está a seleccionar pessoal altamente qualificado, com «uma selecção muito criteriosa», projectando atingir 150 pessoas a três anos.

Se no fim do primeiro ano de actividade o centro de Évora tiver 50 trabalhadores estaremos satisfeitos, tudo o que passar a meia centena de pessoas «supera as expectativas».

Indicou que o Centro foi criado a pensar no mercado ibérico mas também no europeu e deverá passar por uma colaboração com a Universidade de Évora numa perspectiva de médio prazo para formar licenciados em áreas de especialidades tecnológicas que interessam à Capgemini e se adequam à procura das empresas.

Jorge Martins adiantou que uma terceira área de aposta da Capgemini Portugal é a «cloud» (nuvem), que permite fornecer soluções que não obrigam as empresas a fazer avultados investimentos à cabeça e lhes faculta pagarem em função da utilização de recursos, com «poupanças muito significativas face aos modelos tradicionais».

Recordou que a Capgemini Portugal tem apostado nos últimos anos na integração de sistemas e bases de dados.

O novo responsável da Capgemini em Portugal sublinhou a complementaridade entre a Capgemini de Portugal e Espanha. Indicou que a espanhola é mais forte em Business Intelligence e no Retalho, enquanto a companhia portuguesa é mais forte noutras áreas, particularmente na integração de sistemas.

Jorge Martins adiantou que 10% a 15% do volume de negócios da Capgemini Portugal é com clientes internacionais e revelou que a filial portuguesa é «uma alimentadora de recursos qualificados» para empresas do grupo Capgemini noutros países, sobretudo europeus.

Defendeu que os bons técnicos que Portugal tem estão num nível muito acima da média no plano internacional e considerou que alunos que vêm do Técnico, por exemplo, são muito bons a matemática e há jovens engenheiros que em pouco tempo obtiveram certificações em áreas que nunca tinham abordado.

O responsável da empresa em Portugal revelou que a companhia paga cursos e certificações aos seus trabalhadores e dá prémios pelas qualificações obtidas, que podem ser monetários ou em pontos para progressão na carreira.

Destacou que a Capgemini Portugal teve 145 certificações em tecnologias Microsoft no último ano, o que lhe valeu a nomeação como parceiro do ano da multinacional de software.

Jorge Martins sublinhou que Portugal ainda vive «um período muito difícil» e indicou que não está optimista quanto aos anunciados sinais de crescimento, porque o país não está a resolver os seus problemas estruturais.

Acrescentou que a instabilidade no sector financeiro, nomeadamente os últimos acontecimentos [situação do BES] também não ajudam, observando que «ainda há mais situações por resolver».

Afirmou que a situação do sector financeiro e a justiça praticamente paralisada não dão confiança aos investidores e dificultam a necessária captação de investimentos.

Para Jorge Martins, «não devemos penalizar as famílias pelo excesso de consumo», que foi fomentado pelo sector financeiro e pelo qual devem ser responsabilizadas e supervisão e as empresas [financeiras].

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