Indicadores de Inovação reflectem padrão de especialização

Publicado em 28/03/2014 02:27 em Opinião

A análise dos Indicadores de Inovação da COTEC para Portugal revela um padrão de especialização da economia portuguesa baseado em baixos salários e em produtos e serviços de baixa e média tecnologia e de baixa intensidade de conhecimento, assim como os resultados de políticas erradas nos anos recentes.

A produtividade laboral sofreu a maior queda em 2014, segundo os indicadores COTEC.

Essa quebra demonstra que a degradação das condições de remuneração dos trabalhadores portugueses, que tiveram uma queda de 5,1% nos custos salariais entre 2008 e 2013 e têm o mais baixo custo horário do trabalho da Europa Ocidental em 2013, teve o efeito contrário ao objectivo enunciado pelo governo de aumentar a produtividade pela via da redução salarial e degradação das condições laborais.

A redução das despesas em educação e no número de novos doutorados em Portugal, a par da aposta nos baixos salários, contribuem para perpetuar este padrão de especialização.

O que é agravado com o facto de Portugal não estar a conseguir reter no país os seus talentos, o que a COTEC explica pelas dificuldades em conseguir emprego e pelo aumento de impostos. Aumento que implica remunerações efectivas mais baixas e induz muitos jovens – e não só – qualificados a procurar no estrangeiro condições de vida dignas.

A COTEC Portugal defende a necessidade de o país apostar no emprego e em exportações nos sectores de produtos e serviços de alta tecnologia e conhecimento intensivo e no aumento do valor acrescentado bruto (VAB) desses sectores, alertando para que isso implica garantir a existência de trabalhadores qualificados.

Mas políticas que limitam as bolsas de doutoramento, obrigam muitos jovens a desistir de estudar nas universidades por razões económicas, reduzem drasticamente as verbas destinadas ao ensino universitário, induzem o aumento do desemprego e a queda do emprego, nomeadamente de licenciados, e dificultam o acesso dos trabalhadores qualificados a uma vida digna, nomeadamente com o «brutal aumento de impostos«, representam a destruição do potencial criado por uma aposta na educação e na qualificação superior seguida durante vários anos.



FV

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