CEO da Deutsche Telekom defende desregulação telecomunicações

Publicado em 13/02/2014 00:42 em Geral

O novo CEO do operador histórico alemão Deutsche Telekom, Tim Hottges, defendeu que a União Europeia (UE) deveria assegurar a completa desregulação do mercado de telecomunicações da UE, garantindo que este já é competitivo, revela a newsletter European Communications.

Numa altura em que prosseguem as negociações com Neelie Kroes, vice presidente da Comissão Europeia (CE), o CEO do principal operador de telecomunicações da Alemanha sustenta que os legisladores comunitários deveriam ter em conta o impacto da redução dos preços de telecomunicações regulados em tempo de crise financeira.

Tim Hottges considerou que a indústria de telecomunicações da UE «está cheia de ambiguidades» e disse que um antigo professor seu dizia que «a ambiguidade é uma coisa má».

Apontou a dificuldade de corresponder aos pedidos de investimento na indústria e simultaneamente ajudar a reduzir o endividamento dos governos e disse:

«As pessoas pedem um mercado único, mas os reguladores nacionais fazem leilões do espectro [radioeléctrico] para reduzir o défice dos orçamentos nacionais. Pedem-nos para baixar os preços para os consumidores, mas ao mesmo tempo pedem nos para investirmos em infra-estruturas.»

O CEO da Deutsche Telekom indicou que uma das suas maiores preocupações é a falta de fabricantes europeus na área das tecnologias da informação e comunicações (TIC), exemplificando com a Intel, Toshiba, Cisco ou Huawei, nenhuma delas da Europa, que apenas tem expressão no software e infra-estruturas.

Tim Hottges considerou que é difícil satisfazer os reguladores e os governos nacionais e ao mesmo tempo competir globalmente, criticando um ambiente em que as telecomunicações estão fortemente reguladas em 28 mercados nacionais diferentes.

Observou que enquanto o negócio das telecomunicações nos Estados Unidos cresce 30%, na Europa não vai além dos 10%.

A CE tem referido recorrentemente o potencial de crescimento da indústria de TIC e o comissário europeu da Concorrência, Joaquim Almunia, destacou esta semana a necessidade de um mercado europeu de telecomunicações integrado, que permita uma oferta pan europeia de serviços.

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