Patentes absurdas na economia digital

Publicado em 21/11/2013 01:25 em Geral

Na economia digital há patentes absurdas que estão a impedir o desenvolvimento digital, defendeu António Bakali, consultor e director da empresa de jogos electrónicos Gojira.

Falando na conferência «Economia Digital e Direito», organizada pela Associação do Comércio Electrónico (ACEPI) e que decorreu terça e quarta-feira em Lisboa, António Baldini recordou que só quando Henry Ford venceu em tribunal o detentor da patente do motor a dois tempos e esta foi passada para a Associação do sector é que a indústria automóvel dos Estados Unidos progrediu rapidamente.

Salientou que a Internet nasceu como uma rede colaborativa e é o primeiro momento da ideia de «open source» (código aberto) porque ninguém detém patentes.

Apontou um conjunto de iniciativas como o movimento «Open Science», que defende que toda a gente deve ter acesso à ciência, ou o «Center for Game Science», ligado à Universidade de Washington», focado em jogos de descoberta científica, que promovem a criatividade humana e exploram a inteligência colectiva.

Baldini destacou, ainda, a existência na Internet de iniciativas da sociedade, como o Marco Civil da Internet, surgida em 2009 no Brasil num blogue e que por um processo colaborativo deu origem em 2011 a um projecto legislativo que previa garantias, direitos e deveres para quem usa a Internet e estabelecia directrizes para a actuação do Estado ou do «Democracy Spot», que visa incentivar a democracia participativa através da Internet.

Carlos Correia, professor da Universidade Nova de Lisboa (UNL), disse que o digital «irrompeu» no campo da economia e do direito e que o direito, embora com algumas orientações sobre a economia digital, não consegue responder à velocidade estonteante das mudanças no digital.

O digital, «a maior revolução de todos os tempos», tem uma grande velocidade de mudança e interpõe-se entre a economia e o direito, causando dificuldades num conjunto de esferas de actividade, indicou.

Aquele professor da UNL afirmou que a Web 1.0 foi a infância do mundo digital e foi relativamente pacífica quando a velocidade de comunicação era pequena, mas com o aumento da velocidade das comunicações e a melhoria das tecnologias de compactação de dados as coisas modificaram-se e tornou-se fácil a partilha de grandes quantidades de dados.

Sustentou que com os smartphones a informação e comunicação está no bolso das pessoas e está na base da Primavera Árabe ou das manifestações de indignados em Espanha.

Mafalda Frazão, que trabalha na parte comercial do Google, Indicou que a plataforma de vídeos «You Tube» (grupo Google) é hoje o segundo maior motor de busca a seguir ao Google e permite uma partilha em que muitos utilizadores usam conteúdos de outros para produzirem os seus próprios conteúdos.

Mafalda Frazão considerou que o «You Tube» pode ser utilizada como uma plataforma de negócios e ajudar as pequenas e médias empresas (PME) portuguesas a exportar.

Indicou que o «You Tube» permite às empresas e marcas encontrar as audiências certas de forma diferenciadora e destacou que 52% dos consumidores afirmam que os vídeos os ajudam a tomar decisões de compra mais informadas.

Mafalda Frazão revelou que o «You Tube» disponibiliza publicidade com um botão que permite ao internauta optar por ver ou não um vídeo de publicidade, o que significa que essa publicidade só é vista por quem tem algum interesse no produto ou serviço.

Sublinhou que a empresa anunciante só paga em função do número de visualizações, o que quer dizer que consegue maior eficácia por menor preço, e pode ficar com uma lista de pessoas que viram o vídeo e dirigir-se a elas sempre que há uma novidade ou promoção.

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