Quase um terço das empresas proíbe utilização dispositivos móveis externos

Publicado em 30/09/2013 23:28 em Empresas

Quase um terço das grandes empresas e organizações em Portugal proíbem a utilização de dispositivos móveis alheios à empresa por parte dos seus trabalhadores, segundo um estudo da consultora IDC sobre a mobilidade.

Gabriel Coimbra, director da consultora tecnológica IDC Portugal, observa que a adopção da mobilidade nas companhias terá um impacto positivo na redução dos custos e no aumento da produtividade em Portugal.

O estudo da consultora internacional parte de uma amostra de 124 decisores (administradores ou directores) de grandes empresas de todos os sectores de actividade em Portugal ou responsáveis de organismos da administração pública nacional que responderam a um inquérito online realizado no mês de Setembro, em curso.

Os smartphones e tabletes trouxeram consigo o BYOD («bring your own device», na sigla inglesa), o que significa as empresas permitirem que os seus trabalhadores utilizem os seus equipamentos móveis pessoais no trabalho, tendo acesso às informações e aplicações da empresa por telemóvel ou tablete.

Para além dos mais de 30% de grandes empresas em Portugal que proíbem o BYOD, mais de um quarto das companhias afirma não ter uma política definida sobre aquela matéria, revela a IDC.

Apenas cerca de 7% das companhias incentiva a utilização de equipamentos externos à companhia compatibilizando-os com as aplicações empresariais.

Gabriel Coimbra recorda que este ano se deverão vender mais de mil milhões de smartphones e 227 milhões de tabletes no mundo e que as vendas continuar a crescer a dois dígitos até 2017, embora se comece já a fazer sentir uma tendência de abrandamento no seu ritmo de acréscimo.

Destaca que as infra-estruturas de telecomunicações, fixas e móveis, dão hoje possibilidade de acesso à Internet em quase todos os locais, fazem-se 30 mil milhões de downloads de aplicações por ano, há mais de mil milhões de utilizadores de redes sociais, que começam a ser também utilizadas por empresas, há um número crescente de equipamentos ligados à rede (da electrónica de consumo aos automóveis) e a quantidade de informação criada duplica a cada dois anos.

Acrescenta que com a nuvem, os recursos computacionais tornaram-se praticamente ilimitados.

Quase 90% dos decisores das grandes organizações portuguesas que responderam ao inquérito consideraram que a mobilidade dos trabalhadores é importante (a totalidade nas telecomunicações, media, «utilities» e energia, mas menos de 70% na administração pública).

A mobilidade é considerada importante por 70% das empresas no caso dos clientes mas em relação aos parceiros só 40% lhe atribuem importância.

Mais de nove em cada 10 (92%) das organizações utilizam acesso móvel a correio electrónico da empresa, quase metade (47%) acesso móvel a aplicações de serviço aos clientes, 34% a aplicações móveis de vendas e financeiras e 40% usam aplicações para clientes em smartphones ou tablets, mas apenas 10% tem uma política de BYOD, indica o estudo.

Precisa que 44% das companhias têm aplicações integradas de segurança, 60% uma política de normalização de dispositivos e 28% uma solução de gestão de dispositivos móveis.

Mais de 70% das organizações portuguesas prevêem manter ou diminuir a despesa com equipamentos móveis nos próximos 12 meses e só menos de 10% do total antecipam um aumento superior a 10% desse investimento.

Os principais factores que mais influenciam a adopção de soluções de mobilidade são a necessidade dos trabalhadores (para mais de 80% dos inquiridos), a necessidade dos clientes (mais de 70%), a oferta de tabletes e smartphones (ambos mais de 60%) e o preço das comunicações móveis (citado por mais de metade).

Os decisores que responderam ao estudo da IDC indicam como áreas em que as soluções móveis têm mais impacto o serviço ao cliente e a flexibilidade da força de trabalho (cerca de 90% em ambos), o aumento da produtividade, a velocidade no processo de decisão e a melhoria da colaboração (em todos os casos com mais de 80%).

Em matéria de desenvolvimento de aplicações móveis pelas grandes organizações portuguesas, mais de dois quintos apostam em aplicações nativas para sistemas operativos como o Android, iOS e Windows, cerca de 40% em aplicações Web em HTML5, quase 40% num sítio Internet optimizado e 10% em aplicações móveis na nuvem.

O estudo da IDC revela que os principais desafios ao desenvolvimento de aplicações são o investimento no desenvolvimento para diferentes plataformas, a segurança das aplicações, as qualificações dos recursos humanos, o ritmo de mudança tecnológica e o desenvolvimento para diferentes equipamentos.

As plataformas para aplicações móveis mais usadas pelas grandes empresas em Portugal são o iOS para iPhone (por 52%), o iOS para iPad (46%), o Android para smartphones (44%), o Android para tabletes (36%) o Windows Phone 8 (23%), o Windows 8 para tabletes (22%) e o BlackBerry para smartphones (15%).

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