Concorrência no móvel intensifica-se e procissão pode ir no adro

Publicado em 08/03/2013 17:22 em Opinião

A concorrência nas comunicações móveis e «triple play» está a intensificar-se em vésperas da muito provável fusão ZON/Optimus, com preços agressivos para pacotes de comunicações de voz quase ilimitados e tráfego Internet incluído.

E a procissão ainda poderá ir no adro se o quase certo novo operador ZON OPTIMUS, que agrega o líder de televisão por subscrição com uma empresa que dispõe de uma rede móvel, com complementaridades e sinergias importantes, entrar na guerra dos preços/serviços com novas ofertas. Como dificilmente deixará de fazer, uma vez que os dois principais concorrentes estão já a marcar o seu terreno.

A PT lançou na primeira quinzena de Janeiro uma nova oferta de «quadruple play» (televisão, Internet, voz fixa e voz móvel), sob a marca M4O.

O serviço básico M4O inclui actualmente 90 canais de televisão, Internet a 100 megabits por segundo (Mbps), telefone fixo com chamadas gratuitas para todas as redes fixas nacionais e para destinos internacionais e dois telemóveis com tráfego ilimitado para todas as redes móveis nacionais (incluindo SMS) e 200 Megabytes (Mb) de tráfego Internet para cada um, por um preço global de 79,99 euros, numa única factura.

A Vodafone, que já disponibilizava factura única para clientes com vários serviços, veio esta semana lançar a oferta Red, escalável e com um custo global de 79,70 euros para um serviço semelhante mas com 100 canais de televisão e software de protecção dos smartphones (básico nas tarifas mais baixas), enquanto o M4O oferece a primeira mensalidade. Ambos apresentam ofertas na subscrição do «triple play».

A oferta da Vodafone é escalável porque os clientes particulares podem ter apenas um cartão para telemóvel, por 34,90 euros, um segundo cartão por 19,90 euros, ou ambos e Vodafone TV Net Voz por mais 24,90 euros.

Neste capítulo a PT reagiu e apresenta agora, por 39,90 euros (mais cinco euros do que o primeiro cartão Red), um tarifário TMN («Unlimited L) com voz e SMS praticamente ilimitados, 1 gigabyte de tráfego Internet (200 Mb no Red), acesso ao serviço Wi-Fi PT, 16 Gb de armazenamento na Cloud PT (20 Gb na Vodafone Cloud no caso do Red) e acesso ao serviço Music Box, oferta que a Vodafone não tem no serviço concorrente.

Além disso, a oferta «L» da TMN inclui o smartphone Android Samsung Galaxy Mini, ao passo que a o Red prevê apenas preços especiais na aquisição de smartphones.

De fora do «Unlimited L» fica o serviço Easy Roaming da Vodafone, que permite chamadas e SMS gratuitos em roaming e utilização do plafond Internet na Europa por 2,99 euros por dia, e o software básico de protecção dos smartphones.

Além disso, a Vodafone lançou o Red Pro, para empresas e profissionais, com preços a partir de 37,50 euros, que além dos serviços semelhantes ao Red básico (excepto no Easy Roaming), inclui 1,5 Gb de tráfego Internet e a possibilidade de associar um número fixo ao telemóvel.

A concorrência exacerbada está lançada, com vantagens para os consumidores.

A dúvida consiste em saber até onde irá a escalada de ofertas agressivas quando a ZON OPTIMUS chegar ao mercado e até que ponto estas ofertas minarão a rentabilidade dos três principais operadores de telecomunicações que passarão a dominar o mercado português.

Porque se com as redes de nova geração baseadas em IP (protocolo Internet) os custos de transporte de pacotes de voz e dados são muito mais baixos, o lançamento de serviços com voz e SMS grátis para todas as redes praticamente ilimitados tende a prazo a aumentar bastante a utilização dos telefones móveis, sobrecarregando as redes.

E as opções serão duas: deixar degradar a qualidade do serviço prestado ou investir no aumento da capacidade da rede para manter a qualidade. Um investimento que acresce ao investimento normal que as redes de telecomunicações exigem. E que pode ser dificilmente compaginável com as receitas obtidas se os preços e a rentabilidade baixarem para além do razoável.



Fernando Valdez

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