Comissão Europeia quer Internet mais segura para as crianças

Publicado em 06/02/2013 00:44 em Internet

A Comissão Europeia (CE) anunciou terça-feira, Dia Europeu da Internet Segura, um compromisso de auto-regulação, para vigorar a partir de 2013, apoiado por 29 empresas de tecnologia, telecomunicações e Online para tornar a Internet mais segura para as crianças.

Um dos aspectos desse compromisso é a garantia de que os diversos dispositivos, incluindo computadores, smartphones, tablets e consolas de jogo, virão equipados com ferramentas de controlo parental facilmente utilizáveis pelos progenitores.

O acordo estabelece boas práticas em termos de estabelecimento de idades apropriadas para acessos de crianças a conteúdos e o compromisso de deitar abaixo material relativo a abusos de crianças.

A Comissão indica que na Europa a idade média das crianças que começam a estar online é de sete anos.

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As companhias envolvidas no compromisso vão utilizar ferramentas de monitorização de abusos online ou «bullying».

Entre as empresas envolvidas nesta iniciativa contam-se a Apple, Deutsche Telekom, Facebook, France Telecom/Orange, Google, LG, Microsoft, Nintendo, Nokia, RIM (BlackBerry), Samsung, Telefonica, Telecom Italia, Telenor, Vivendi e Vodafone.

A CE anuncia que a partir de 2014 a União Europeia e os Estados Unidos passam a celebrar o Dia da Internet Segura na mesma data.

A propósito do Dia Europeu da Internet Segura, a Universidade do Minho divulgou uma investigação da psicóloga e doutoranda Fátima Ferreira, que conclui que a melhor estratégia para prevenir a exposição das crianças aos riscos do online passa pela interacção entre pais e filhos.

A investigação foi desenvolvida entre 2009 e 2012 com base numa amostra de 2 565 estudantes de Portugal, Espanha e Reino Unido, com idades entre os 10 e os 18 anos.

O estudo aponta o «ciberbullying» como o risco mais frequente, seguido do assédio persistente e das solicitações sexuais.

Defende estratégias que combinam a definição pelos pais de regras de utilização da Internet com a discussão com as crianças da utilização que fazem da Web e observa que os pais não devem confiar apenas na utilização de filtros de controlo parental, que podem ser facilmente desactivados pelos adolescentes.

A conversa no mundo real continua a ser o melhor meio para lidar com o que se passa no mundo virtual, sustenta a investigação.

A companhia de segurança informática Kaspersky alerta para que, a nível mundial, em cada hora há 160 mil tentativas de menores de visualizarem conteúdos para adultos e um total mensal de 60 milhões de tentativas de acesso a sítios pornográficos.

Além disso, 21,9% já sofreram «ciberbullying» nas redes sociais e 14% enviam fotos ou vídeos pessoais a estranhos.

Revela que por dia são detectadas 200 mil amostras de software malicioso, 500 sítios comprometidos, incluindo lojas online, 1 400 amostras de malware bancário, 230 «keylogers» (software espião que regista o uso dos teclados) e cerca de um milhar de programas maliciosos para dispositivos móveis.

A Kaspersky defende que os pais devem educar os menores no uso da Internet e garantir que são uma referência de ajuda em casos de assédio ou «ciberbullying».

Aconselha a que só se aceite nas redes sociais o contacto de pessoas conhecidas, a ter cuidado com as fotos que se colocam nas redes e a configurar as opções de privacidade.

A Kaspersky sugere que só se façam downloads a partir de sítios de confiança, que se tenha cuidado com aplicações que pretendem aceder aos dados de utilizador e não se clique em hiperligações (links) que não provenham de utilizadores conhecidos, venham em mensagens de texto, correio electrónico ou redes sociais.

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