Tráfego de dados deverá multiplicar-se por 16 vezes em seis anos

Publicado em 30/07/2010 22:52 em Destaques

O tráfego de dados deverá multiplicar-se por 16 vezes entre 2010 e 2016, obrigando os operadores de telecomunicações a investirem para suportar o aumento exponencial da procura de largura de banda, indicou Jay Berman, consultor sénior da Alcatel Lucent, numa conferência Internet organizada pela consultora e editora de comunicações Informa Telecoms & Media.

Aquele consultor considera, no entanto, que o momento para a adopção do Long Term Evolution (LTE), a tecnologia móvel de quarta geração, depende de vários factores, desde questões económicas até ao perfil dos clientes de cada operadora.

Adiantou que a eficiência de custos é na tecnologia LTE superior à do HSPA (High Speed Packet Access, a tecnologia de banda larga móvel de terceira geração) para operadoras em que o tráfego médio por utilizador é superior a 500 megabits por mês e quando há procura de tráfego mais simétrico, isto é, de velocidades de upload (exportação de ficheiros) mais próximas das de download.

Assinalou que o capital não é infinito, o que condiciona o timing de implementação do LTE, e que é preciso mudar modelos de «pricing» porque existe o risco de canibalização de receitas.

Jay Berman alertou, ainda para os constrangimentos dos recursos das redes existentes, o que tem implicações na transição para a quarta geração, e para os condicionamentos decorrentes da falta de terminais móveis que tirem partido das capacidades do LTE, embora vários fabricantes de smartphones tenham já anunciado planos produzir terminais que suportem esta tecnologia.

Acrescentou que está em expansão a procura de banda larga para suportar conteúdos vídeo e serviços de conteúdos ricos.

A transição para a quarta geração móvel deve ser pensada para permitir maximizar as receitas, aumentar a receita média por cliente (ARPU), aumentar a quota de mercado, optimizar as despesas de capital e reduzir as despesas operacionais, indicou.

Para aquele responsável da Alcatel-Lucent, há problemas a resolver em matéria de alocação de espectro, partilha de recursos de rede e transformação das operações, nomeadamente para fazer a gestão de tráfego 4G e 3G simultaneamente.

Jay Berman alertou para que a criação de procura de serviços de quarta geração móvel pelos clientes depende da diferenciação do mercado.

James Middleton director editorial da Informa Telecoms, na apresentação do orador, afirmou que este ano o tráfego móvel de dados nos países desenvolvidos já será superior ao tráfego de voz.

James Middleton destacou que há actualmente quatro centenas de redes de banda larga móvel no mundo e de menos de 60 milhões de subscritores de banda larga móvel deverá passar-se para mais de 300 milhões em 2013.

Indicou que entre 2008 e 2013 o tráfego móvel deverá multiplicar-se por 17 vezes e as receitas deverão multiplicar-se por 1,8 vezes.

Jay Berman salientou que os clientes pretendem basicamente um acesso simples e pessoal,disponível através de qualquer equipamento, acesso rápido a qualquer hora e em qualquer lugar, com boa qualidade de experiência (QoE).

O consultor da Alcatel-Lucent sublinhou que o LTE vai permitir uma experiência semelhante à das redes fixas de nova geração em serviços como o IPTV.

Para os operadores de telecomunicações, a vantagem chave do LTE é transformar as suas infra-estruturas em redes totalmente IP (protocolo Internet), permitindo aumentar a eficiência das redes, diminuir os custos de operação e reduzir o consumo de energia.

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