Os maus e os bons criminosos

Publicado em 11/08/2012 22:32 em Opinião

O governo e a justiça dos Estados Unidos têm perseguido os cibercriminosos que tal como os outros criminosos do mundo real provocam prejuízos à sociedade e prejudicam outras pessoas, enviando-os para a prisão quando os conseguem identificar. E bem.

As autoridades também prendem e condenam jovens contestários do sistema, conhecidos como «hacktivistas», que utilizam a arma informática para pôr em causa o sistema mas disso não tiram proveitos pessoais. Alega-se – e é verdade – que causam prejuízos às empresas (normalmente multinacionais) que visam e às organizações, governamentais ou não, alvo dos seus ataques.

Mas estes, com motivações meramente criminosas ou por razões de contestação ao sistema, são os piratas informáticos maus.

Mas depois há os piratas informáticos bons.

São as agências governamentais que produzem ciber-armas como o «Flame», que o New York Times revelou ter tido luz verde de presidentes dos Estados Unidos, incluindo Barack Obama, o «Duku», que tem sido atribuído a Israel mas que terá «um dedinho» dos norte-americanos, e agora o «Gauss», que a empresa de segurança Kasperski não hesita em dizer que foi criado por um Estado.

A companhia de segurança informática russa salienta que o «Gauss» foi descoberto por analistas da Kaspersky através da identificação de pontos em comum com o «Flame», já que «inclui plataformas de arquitectura, estruturas modulares, códigos de base e sistemas de comunicação com os servidores de comando e controlo similares».

Alexander Gostev, director da Kaspersky, citado em comunicado, destaca que «o Gauss contém semelhanças surpreendentes com o Flame, como o seu desenho e a base do código» e «tal como o Flame e o Duqu, é um complexo conjunto de ferramentas de ciber-espionagem que opera com sigilo e em segredo».

As grandes semelhanças entre o «Gauss» e o «Flame», e a indicação da Kasperski que a mais recente ciber-arma detectada foi criada por um Estado, levam a crer que se poderá tratar de mais uma obra de agências governamentais norte-americanas.

Estas acções de intrusão – ainda que através da Internet – noutros países soberanos, nomeadamente de instituições governamentais dos países visados, são acções hostis à margem de todas as regras básicas do relacionamento internacional e da Carta das Nações Unidas.

São, de facto, uma guerra (ainda que com armas diferentes) não declarada nem ratificada pela Comunidade Internacional (Conselho de Segurança das Nações Unidas) contra outros Estados.

A tendência será para que Estados visados optem cada vez mais por sair da Internet e criar redes privadas fora da Internet para se defenderem deixaram de estar sujeitos a este tipo de ataques. Com prejuízos evidentes para a universalidade da Internet.

Mas pergunta-se:

Se as polícias dos Estados Unidos e de outros países ocidentais perseguem os piratas infomáticos e se a justiça daqueles países os condena com severidade, para quando as autoridades e a justiça dos Estados Unidos – e de outros Estados - perseguirem quem aprovou e quem executou malware como o «Duku», «o Flame» ou o «Gauss».

E o Tribunal Penal Internacional vai ou não investigar esses criminosos oficiais?

O facto é que roubaram dados, nomeadamente bancários, de instituições, incluindo bancos, e pessoas, incluindo dirigentes, de outros países. As motivações foram neste caso políticas?

Os fins não justificam os meios! E políticas são também as motivações dos chamados «hactivistas», que atacam instituições e empresas para contestarem o sistema.



OU HÁ BONS E MAUS CRIMINOSOS?



Fernando Valdez

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