PT troca controlo partilhado da Vivo por parceria com grupo Oi

Publicado em 28/07/2010 22:17 em Destaques

A Portugal Telecom anunciou hoje a venda dos seus 50% do capital da holandesa Brasilcel, que controla quase 60% do capital da operadora móvel brasileira Vivo, à espanhola Telefonica por 7,5 mil milhões de euros, ao mesmo tempo que era estabelecido um acordo visando uma parceria estratégica da PT com o grupo brasileiro de telecomunicações Oi, que pode incluir participações cruzadas.

A Telefonica passa a deter a totalidade do capital da Brasilcel e a controlar sozinha a maioria do capital da Vivo.

O negócio, aprovado unanimemente pela administração da PT, prevê que a Telefonica pague à cabeça 4,5 mil milhões de euros, no prazo máximo de 60 dias após o acordo, acrescidos de mil milhões de euros liquidados em 31 de Dezembro de 2010 e 2 mil milhões de euros até ao fim de Outubro de 2011.

As duas operadoras históricas ibéricas concordaram em iniciar discussões a partir de Janeiro de 2011 com o objectivo de estabelecerem uma parceria industrial e a explorarem áreas de cooperação que maximizem sinergias e poupanças de custos para as duas companhias.

O acordo com o grupo Oi prevê que a PT detenha, directa e indirectamente, 22,38% do capital do capital do grupo brasileiro, com um investimento máximo de 8,4 mil milhões de reais (3,7 mil milhões de euros), com direito de participação na administração da holding Telemar Participações (com um administrador efectivo e um suplente) e dois administradores efectivos naTNL.

A PT indica, ainda, que terá direito de veto em decisões relativas a determinadas matérias e a nomear um director executivo da Telemar Participações, holding que poderá comprar até 10% do capital da operadora portuguesa.

O comunicado da PT à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) assinala que o grupo Oi é o maior operador de comunicações fixas da América Latina e lidera o mercado brasileiro de telecomunicações, com receitas que em 2009 ascenderam a 15 mil milhões de dólares (11,5 mil milhões de euros).

O acordo de princípio vigora até 31 de Outubro de 2010 e poderá ser prorrogado pelas partes e a consumação das operações nele previstas está condicionada a um acordo das partes sobre os termos e condições dos contratos definitivos relacionados com a parceria, ressalvando-se que as condições previstas «poderão não ser implementadas», segundo a comunicação à CMVM.

Esta condição significa que o acordo de venda da participação da PT na Vivo à Telefonica é definitivo mas a parceria com a Oi não está ainda garantida em absoluto.

Na apresentação dos negócios aos investidores, a que o «Falar de Tecnologia» teve acesso, a PT indica que a parceria industrial com a Telefonica, a negociar em 2011, poderá incluir a instalação de um centro de investigação e desenvolvimento conjunto em Portugal, troca de experiências nos domínios do «know how» e melhores práticas e o desenvolvimento conjunto de modelos de negócio para as telecomunicações do futuro.

A apresentação indica que a parceria industrial com a Telefonica terá cerca de 300 milhões de clientes de telefonia fixa e móvel e acessos Internet em banda larga, na Europa, continente americano e África, permitindo sinergias significativas, oferta do melhor serviço aos clientes e maximização do retorno para os accionistas.

Permitirá, ainda, maior força negocial na definição de preços e relações com os actores chave do mercado, aceleração do ciclo de desenvolvimento de produtos e desenvolvimento de serviços próprios para os consumidores.

Relativamente ao grupo brasileiro Oi, a apresentação indica que tem um total de 62,3 milhões de clientes e tinha no primeiro trimestre deste ano 36,6 milhões de clientes de telefonia móvel, 4,3 milhões de subscritore de banda larga e 300 mil assinantes de televisão por subscrição.

O documento indica que as contas referentes a 2009 revelam que a PT incluindo a participação na Vivo teve 6,785 mil milhões de euros de receitas consolidadas e que, com a parceria com a Oi, teria 6,24 mil milhões de euros, o que significa que a PT mantém escala, e a dívida líquida da PT reduz-se de 5,528 mil milhões de euros para 2,184 mil milhões de euros.

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