Surface da Microsoft é resposta directa ao iPad

Surface da Microsoft é resposta directa ao iPadPublicado em 20/06/2012 00:44 em Opinião

Os tablet Surface, apresentados na madrugada de terça-feira num evento com a imprensa para o qual a Microsoft geriu habilmente as expectativas, constituem uma resposta directa da gigante do software aos iPad, da Apple.

A Apple apresentou tablet PC com hardware e software desenhados para estarem em sintonia no seu funcionamento e o resultado foi a liderança absoluta do mercado mundial de tablet PC, que se mantém, apesar do avanço da plataforma Android.

Ainda que os tablet PC não concorram directamente com os portáteis, começaram a cavar no mercado dos pequenos notebooks, geralmente equipados com processadores Atom e com sistemas operativos da Microsoft.

A Microsoft aposta agora num dispositivo com hardware e software concebidos, desenhados e desenvolvidos pelos engenheiros da Microsoft. O mercado espera que hardware e software «tenham sido feitos um para o outro».

A Microsoft entra pela primeira vez na construção de dispositivos do tipo computadores, o que poderá levantar algumas reticências aos fabricantes de PC que utilizam o software da multinacional, nomeadamente o Windows, perante esta incursão no seu campo.

Até aqui as incursões da Microsoft pelo hardware limitaram-se aos teclados e ratos com a sua marca, à consola Xbox ou ao leitor de música Zune.

O êxito da concorrência directa com a Apple na área dos media tablet PC apenas deverá ser conhecido a partir de 2013. Só no último trimestre, em simultâneo com o Windows 8, deverá estar efectivamente disponível o tablet mais básico, enquanto o de maior capacidade e mais profissional só chegará na melhor das hipóteses no fim do ano.

O iPad tem muitos fãs, também porque é sinal de «status», mas um tablet com Windows 8 tem a vantagem de ter uma utilização mais fácil para quem está habituado a trabalhar com computadores pessoais e ser mais facilmente integrável nos sistemas informáticos das empresas baseados em Windows.

A capa para o Surface inclui um teclado, o que permite uma escrita muito mais rápida e fácil do que a proporcionada pelos teclados virtuais e constitui uma vantagem comparativa do Surface, com particular relevância no uso profissional.

Mas a Microsoft tem de garantir também que conseguirá disponibilizar uma conjunto alargado de aplicações, incluindo gratuitas, nas suas lojas de apps online se quiser captar o interesse dos clientes por um dispositivo que tem uma forte vertente de entretenimento.

Sem se deixar cair na armadilha em que caiu a Google que, para fazer crescer rapidamente as aplicações disponíveis para Android, tem sido algo permissiva na colocação de novas aplicações na sua loja online, o que está na origem de um grande crescimento do malware naquela plataforma.

Nick Wingfield, jornalista do New York Times, questiona a opção anunciada pela Microsoft na apresentação dos tablets de só os vender na Internet e nas suas lojas próprias, que são actualmente apenas duas dezenas, embora mais estejam em preparação.

Wingfield diz que isso muito provavelmente limitará as vendas do novo tablet.

Não se conjuga bem o esforço feito pela Microsoft para desenvolver e lançar esta alternativa ao iPad com uma decisão de limitar a sua disponibilidade, num período de grande concorrência e explosão dos tablet PC e em que a Apple e a Google (através de diversos fabricantes) partiram muito mais cedo para a competição e são claramente dominantes.

A Microsoft iniciou o seu jogo mas ainda não mostrou todas as suas cartas. O Surface, apresentado nas suas linhas gerais, pode ainda vir a ter muitas novidades.

Mas a Microsoft não se pode falhar uma aposta tão importante. Para isso precisa de alargar a disponibilidade dos seus tablet a um conjunto mais alargado de pontos de venda e fazer um grande esforço para captar o interesse dos programadores que desenvolvem aplicações na sua plataforma.



Fernando Valdez

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