Tecnologia deveria permitir menos horas de trabalho e mais férias

Publicado em 25/05/2012 01:27 em Internet

O presidente da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (APDSI), José Dias Coelho, defendeu que os avanços de eficiência permitidos pelas tecnologias deveriam permitir trabalhar menos horas e ter mais férias.

Num comentário a uma pergunta sobre o aumento do desemprego gerado pelo avanço tecnológico, na conferência «Internet, Negócio e Redes Sociais», Dias Coelho defendeu que a sociedade ainda não deu resposta a este desafio.

«Não entendo como é que numa altura em que a agricultura liberta mão de obra, a indústria liberta mão-de-obra, os serviços libertam mão-de-obra, ainda se continua a querer aumentar horários de trabalho», afirmou.

O presidente da APDSI defendeu que a resposta deveria ser diminuir os horários de trabalho e aumentar os tempos de férias.

Ramiro Gonçalves, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), salientou que vivemos hoje num mundo com grandes mudanças políticas, económico-financeiras, organizacionais e tecnológicas e os avanços da tecnologia implicam novas opções para as organizações, que terão de ser mais focadas, ágeis, competititivas, flexíveis e eficientes.

O orador destacou que o comércio electrónico está disponível em qualquer lugar e a qualquer hora, é interactivo e permite mensagens personalizadas para os consumidores, mas os ambientes online ainda não são suficientemente apelativos para que as pessoas comprem online.

Observou que a maior parte dos portugueses não compram na Internet mas consultam a Internet antes de comprar e as suas opções são influenciadas por essa consulta.

Nas razões dos portugueses para não comprarem online, destaca-se o preferir o contacto pessoal (90,0%), as preocupações com a segurança dos pagamentos (57,0%) , problemas de privacidade, com pedido de dados pessoais (53,1%) e problemas de confiança quanto à recepção de bens ou sua devolução (42,2%).

Ramiro Gonçalves indicou que as principais utilizações da Internet são o correio electrónico (89,0%), as mensagens instantâneas (74,5%), as redes sociais (56,4%), os jogos (38,3%), a consulta de jornais (35,6%) e o download de músicas (35,2%).

Luís Vidigal, da direcção da APDSI, sublinhou que o conceito de rede social é antigo, vem dos anos 50, e é uma estrutura social de pessoas ou organizações, não hierarquizada, com valores ou objectivos comuns e que têm como limites a identidade de expectativas, de confiança e de lealdade.

Abordou o papel das redes sociais no desenvolvimento e internacionalização dos negócios e indicou que o Facebook é a rede mais utilizada pelas empresas, seguindo-se o Twitter e o LinkedIn (uma rede de características mais profissionais).

Luís Vidigal defendeu que a utilização de redes sociais pelas empresas tem de assentar numa estratégia e implica nivelar a estrutura organizacional, abrir canais de comunicação, tornar a organização mais transparente, aceitar o uso de ferramentas sociais pelos seus trabalhadores e «ouvir realmente os clientes».

As principais vantagens da presença em redes sociais enunciada pelas empresas são a exposição do seu negócio (88%), o aumento do tráfego online (72%), a subida no ranking dos motores de busca (62%), estabelecimento de novas parcerias (56%), a redução de despesas de marketing (49%) e o aumento de vendas (43%).

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