CE adverte para ritmo lento de transição para redes nova geração

Publicado em 05/04/2012 00:08 em Destaques

A Comissão Europeia (CE) advertiu, de novo, para o ritmo lento da transição do cobre para a fibra óptica nas redes de telecomunicações da União Europeia, evoluindo para redes de nova geração (RNG) que permitem Internet ultra rápida.

«Em geral, a migração para acessos de próxima geração está a concretizar-se a um ritmo moderado», refere um documento da CE, distribuído a especialistas e citado pela newsletter «EurActiv».

Bruxelas assinala que muitos dos principais operadores de telecomunicações europeus se limitam a actualizar as suas redes de cobre e não investem significativamente para aumentar a velocidade da Internet.

O objectivo da União Europeia (UE) para 2020 nesta área é atingir 100% de cobertura de ligações com uma capacidade mínima de 30 megabits por segundo (Mbps) e ter pelo menos metade dos clientes com Internet ultra-rápida, com uma velocidade mínima de 100 Mbps.

Actualmente, apenas 6,5% das ligações de banda larga atingem os 30 Mbps e só 0,9% são a 100 Mbps. Apenas 2% das ligações de Internet na Europa estão baseadas em fibra óptica.

O custo da actualização da rede de cobre para garantir a todos os cidadãos europeus em 2020 a possibilidade de acesso a Internet a 30 Mbps está estimado entre 38 mil milhões e 58 mil milhões de euros.

Por outro lado, a Comissão calcula que o investimento para garantir que a fibra óptica chega a pelo menos metade da população da UE em 2020 se situa entre 181 mil milhões e 268 mil milhões de euros.

A CE preconiza a disponibilização de instrumentos financeiros inovadores que melhore o rácio risco/benefício das RNG para os investidores privados e torne esses projectos mais atractivos comercialmente.

Outra alternativa envolveria a participação financeira dos utilizadores finais em áreas onde a extensão das redes não tem viabilidade comercial. A Comissão dá o exemplo da pouco povoada Finlândia, onde utilizadores pagam o troço final da ligação às suas casas, obtendo em contrapartida importantes deduções fiscais. No entanto, a CE reconhece que dificilmente este modelo poderá ser reproduzido noutros Estados membros.

Enquanto os mais radicais defendem que os operadores incumbentes, que ficaram com redes de telecomunicações financiadas por dinheiros públicos, têm obrigação de fazer os investimentos em fibra óptica necessários, outros defendem que esses investimentos devem ter uma lógica puramente comercial, observa a «EurActiv».

Mas muitos operadores estão a arrastar as decisões de generalizar a fibra óptica nas suas redes, temem perder clientes na transição do cobre para a fibra e reclamam dos reguladores que garantam preços grossistas altos para operadores concorrentes que queiram utilizar as suas redes de nova geração, como forma de compensar o seu investimento em fibra.

Mas a vice-presidente da CE, comissária Neelie Kroes tem feito saber nos últimos meses que defende incentivos para quem adoptar a fibra e penalizações para quem não investir em redes de nova geração.

A CE deverá em breve apresentar as suas recomendações nesta matéria, que provavelmente incluirão uma redução dos preços grossistas para acesso às redes onde não tenha sido feito investimento para evoluirem para RNG.

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