Operadores móveis compensam declínio de receitas de voz com dados

Publicado em 28/03/2012 02:08 em Operadores / Serviços

Os operadores de comunicações móveis estão a compensar o declínio nas receitas de voz com receitas dos serviços de dados em banda larga, sobre redes de terceira geração, que apresentam um forte crescimento, indica a consultora e analista de mercado Wireless Intelligence.

Calum Dewar, analista da Wireless Intelligence, assinala que o ARPU (receita média por cliente) dos operadores móveis aque não oferecem serviços de banda larga sobre redes de terceira geração caiu em média nos últimos anos o dobro do que caiu o ARPU das companhias que apostaram nas receitas de tráfego de banda larga.

Acrescenta que este fenómeno está ligado a uma gradual estabilização do preço do tráfego de dados, com planos tarifários com tráfego ilimitado em mercados maduros, assim como com a crescente utilização de smartphones, com taxas de posse acima dos 30% em operadores como a Vodafone e em países como o Reino Unido e Espanha.

O ARPU de quem tem smartphone é tipicamente o dobro do ARPU dos clientes que possuem telefones tradicionais, indica o relatório da consultora.

A Wireless Intelligence assinala que a estratégia dos operadores móveis de aposta nas receitas de dados tem sido acompanhada por uma alta subsidiação dos smartphones, nomeadamente para novos clientes. No entanto, esta política de preços subsidiados dos terminais está a corroer a rentabilidade das companhias, que deverão abandonar ou atenuar esta política de subsidiação dos equipamentos nos mercados maduros.

A Wireless Intelligence estima que a Vodafone Espanha terá gasto em subsidiação de equipamentos cerca de 2 100 milhões de libras nos 12 meses terminados no fim do terceiro trimestre, o que representou próximo de metade das suas receitas.

Adianta que a Movistar (grupo Telefonica) vai deixar de subsidiar equipamentos, tal como a Vodafone Espanha, que optará por programas de financiamento para a compra de smartphones e pela recompra de telemóveis antigos a clientes que queiram fazer um «upgrading».

O relatório destaca que os preços do serviço de dados caiu muito fortemente nos últimos anos, dando como exemplo que em 2005 o tráfego de dados custava aos clientes da Vodafone no Reino Unido 7,5 libras por Megabyte e que hoje pagam 15 libras mensais com 2 gigabytes de tráfego incluído, o que significa que o preço por megabyte é mais de mil (1 024) vezes menor.

As receitas de dados do operador no Reino Unido aumentaram 20,3% em 2011, passando de 715 milhões para 860 milhões de libras, o que compensou o declínio de 128 milhões de libras nas receitas de voz, salienta a Wireless Intelligence.

Acrescenta que as receitas da Vodafone no Reino Unido cresceram 2,6%, para 4,9 mil milhões de libras, com a facturação dos serviços de dados a aumentar de um peso de 14,7% no negócio em 2010 para 17,2% no ano passado.

Observa que na Alemanha as receitas de dados da multinacional britânica cresceram 25% em 2011, com um acréscimo de 295 milhões de libras, embora insuficiente para compensar a quebra de 401 milhões de libras na voz.

A Wireless Intelligence assinala que no Reino Unido a Vodafone está a apostar na oferta de tràfego de dados ilimitado gratuito durante três meses para novos clientes ou para os que façam upgrade de equipamentos, adiantando que os operadores esperam que, criando a habituação de elevados consumos de dados, os clientes optem por planos tarifários de maior capacidade e preço mais elevado.

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