Telefonica: qual será a próxima jogada pelo controlo da Vivo?

Publicado em 18/07/2010 22:11 em Opinião

A Telefonica mandou à CNMV (regulador do mercado) de Espanha uma comunicação em que informa que a proposta de compra dos 50% detidos pela Portugal Telecom da sociedade holandesa Brasilcel (que controla a operadora móvel brasileira Vivo) se extinguiu por não ter sido aceite pela administração da PT.

A comunicação da Telefónica ao mercado inclui em anexo duas cartas, uma delas em que a administração da PT se diz empenhada em concluir as negociações de uma forma satisfatória para todas as partes e pede a prorrogação da validade da oferta até 28 de Julho de 2010.

Na sua carta de resposta, também divulgada em anexo à comunicação, a Telefinica afirma que, tal como foi verbalmente comunicado à PT, mantém que a oferta expirou a 16 de Julho de 2010 às 23H59 de Lisboa.

A recusa da Telefonica em prorrogar a validade da oferta não será por ter perdido de repente o interesse no controlo da Vivo, que a levou a chegar a uma proposta financeira muito apetecível para os accionistas da PT.

Não parecendo provável que depois do empenho posto na aquisição do restante capital da Brasilcel, que detém cerca de 60% do capital da Vivo, a Telefonica vá pura e simplesmente desistir, terá de se aguardar para ver quais as movimentações seguintes de pedras neste complexo tabuleiro.

Parece difícil que a gestão conjunta da Vivo pelas operadoras históricas de telecomunicações da Espanha e Portugal não tenha no futuro maiores dificuldades, depois de um processo pouco pacífico em que Telefonica acabou por convencer os accionistas da PT a vender mas em que o Governo português bloqueou o negócio, com recurso à «golden share».

Não está excluído que a Telefonica tente aumentar a sua posição accionista, directa e indirecta, na PT, visando o controlo accionista da maior operadora portuguesa, que é um pigmeu face a uma das grandes operadoras de telecomunicações mundiais, com 56,7 mil milhões de euros de volume de negócios (cerca de um terço do PIB português), 250 mil trabalhadores e presença em 25 países, com mais de 264 milhões de acessos de clientes.

E caso a Telefonica chegue a uma participação na PT (directa e indirecta) que, pela lei portuguesa, torne obrigatória uma OPA, a posição do governo português torna-se muito mais complicada.



Fernando Valdez

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