Universidade Minho anuncia revestimento que regula temperatura das casas

Publicado em 17/02/2012 01:28 em Outras Tecnologias

A Universidade do Minho anunciou que está a desenvolver «um revestimento revolucionário para paredes e tectos» que regula a temperatura interior das casas.

Em comunicado, a Universidade do Minho indica que se trata de uma argamassa a aplicar na camada final das paredes interiores, composta pelos componentes habituais da argamassa a que são adicionadas micro cápsulas de PCM, sigla inglesa de material de mudança de fase.

José Barroso de Aguiar, professor da Universidade do Minho que coordena este desenvolvimento, disse ao Falar de Tecnologia que os PCM já são utilizados em vários indústrias e a inovação consiste na sua aplicação à construção civil.

Os PCM são materiais que têm um ponto de fusão (passagem de sólido a líquido) ou solidificação (líquido a sólido) com libertação/absorção de elevadas quantidades de energia, o que permite estabilizar as temperaturas dentro de uma faixa relativamente estreita. Quando o arrefecimento provoca a solidificação, os PCM libertam calor e contêm a descida da temperatura, quando fundem absorvem calor e contêm a subida da temperatura.

Barroso de Aguiar destacou que o exterior das micro-cápsulas é um polímero (material plástico) contendo dentro o PCM, que se escolhe em função do intervalo de temperaturas que se pretende assegurar. No caso do projecto da Universidade do Minho, o objectivo é manter a temperatura interior da casa nos 20ºC a 25ºC, mas nas soluções existentes para vestuário o intervalo está nos 28ºC a 30ºC.

O coordenador do projecto indicou que a investigação começou em 2005 e já deu origem ao registo de duas patentes, a segunda das quais em conjunto com a Universidade de Aveiro.

Barroso de Aguiar salientou que a investigação prossegue para se apurar a poupança de energia que estes revestimentos permitem e a sua durabilidade. Adiantou que a durabilidade deverá ser de duas décadas, semelhante à das argamassas e estão em curso ensaios de resistência ao fogo, tendo em conta que as microcápsulas têm um revestimento de polímeros.

Indicou que a solução já foi aplicada em teste em duas divisões de um apartamento de um edifício de três andares e irá ser comparado o comportamento térmico nestas duas divisões e nas divisões semelhantes do mesmo prédio que não têm revestimento.

Segundo um estudo económico da solução incluído numa tese de mestrado, a diferença de custo entre uma argamassa normal e a argamassa com PCM rondará um euro por metro quadrado.

O coordenador do projecto indicou que há três empresas interessadas no projecto, uma de produção de micro-cápsulas, outra fabricante de argamassas de gesso e a terceira que produz argamassas de cimento e cal, admitindo-se que em 2014 o produto esteja em comercialização no mercado português, com perspectivas de se internacionalizar.

Barroso de Aguiar destacou que esta tecnologia, que já recebeu uma menção honrosa num concurso de inovação, pode ser aplicada na construção nova e reabilitação de edifícios. Poderá também ser aplicada em paredes existentes, desde que se raspe a tinta e se trate a superfície da parede.

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