“Software livre” como meio de redução de custos

Publicado em 26/10/2011 01:05 em Opinião

A temática do “software livre”, como meio para a redução de custos, já não é inédita, ainda mais no período em que somos desafiados a reafirmar práticas de redução de custos face à conjuntura económica que atravessamos. O problema chave recai sobre a forma de potenciar a utilização de “software livre” no dia-a-dia dos utilizadores e nas empresas sem perturbar, em demasia, as práticas e os modelos de trabalho implementados. De uma forma generalizada encontramos dois contextos distintos no que diz respeito à utilização deste tipo de software:

• Como suporte de processos de fundo (ex: infra-estruturas e serviços aplicacionais);

• Nas actividades dos utilizadores finais (ex: ferramentas de produtividade).

Em funções de suporte no data center encontramos, neste momento, inúmeros exemplos de utilização de software livre, que demonstram a exequibilidade de se desenvolver com confiança infra-estruturas ou aplicações neste tipo de software. Se tecnicamente os produtos apresentam a solidez necessária para serem adoptados, o receio de falta de suporte leva muitas equipas de IT, e até mesmo integradores, a evitarem impulsionar soluções de software livre junto do Upper Management. Nos dias de hoje, apesar de compreender as razões que conduzem a este receio, considero que acaba por ser um falso problema, na medida em que as comunidades em torno de muitos destes softwares já são demasiado sólidas para que o conhecimento sobre estes desapareça de um momento para o outro. A universalidade e abertura, características do software livre, levam a que o conhecimento se torne cada vez mais transversal junto dos fornecedores de serviços IT, causando melhorias directas na redução de custos de implementação e operação.



Quando nos debruçamos sobre os ambientes de trabalho, a abordagem, a meu ver, começa pelos limites da prática na experiência do utilizador, isto é, em vez de olhar de forma crítica para os produtos comerciais e para as suas potenciais alternativas abertas, a pergunta que se deveria colocar é: “Da totalidade de funcionalidades do seu portefólio aplicacional pessoal, quais são as que o utilizador efectivamente usa?”. Esta abordagem, mesmo parecendo complexa, ilustra a necessidade de envolver o utilizador num processo de redesenho gradual do posto de trabalho.



O “software livre” cresce em função das necessidades dos seus utilizadores, pelo que a evolução para versões novas, acontece mais gradualmente. Qual a mais-valia de se reinvestir num salto tecnológico que provoca, por vezes, uma cascata de despesas com alterações que poderão até mesmo chegar ao hardware, se na prática os processos em produção e as práticas dos utilizadores não o exigem?



No tratamento de informação de arquivo, a interoperabilidade e a natural predisposição de compliance a standards permitem a redução de custos com processos de reconversão provocados pela obsolescência programada dos produtos comerciais.



A adopção de tecnologias abertas é o reflexo de uma gestão de recursos mais refinada, em que se altera a perspectiva de se olhar para um determinado software, não pelo somatório das funcionalidades que oferece mas pelas respostas que dá às necessidades reais dos utilizadores.



João Faria, Senior Consultant, Infrastructure Services, Capgemini Portugal

Ainda sem comentários