iPhone: a montanha pariu um rato

Publicado em 05/10/2011 01:15 em Opinião

Ao anunciar uma apresentação à imprensa para hoje em que ia falar do iPhone, a Apple alimentou especulações sobre a apresentação do iPhone 5 preparado para a quarta geração, que nunca desmentiu.

Tratava-se, afinal, de apresentar uma nova versão do iPhone4, o iPhone 4S, da apresentação de nova versão do sistema operativo iOS e de novas funcionalidades do iPad.

Pouco? Seria muito se não se tivesse deixado fluir a especulação sobre um novo modelo do iPhone com novo design e preparado para suportar a quarta geração móvel LTE (Long Term Evolution).

Assim, para muitos fãs da Apple, o anúncio de hoje terá sabido a pouco, uma desilusão. Para muitos jornalistas, seguramente também.

Apesar de um processador mais rápido, uma câmara fotográfica com maior resolução e, sobretudo, da nova funcionalidade Siri, uma aplicação inteligente de reconhecimento de voz capaz de procurar na Internet a resposta a uma pergunta verbal.

Tenho dúvidas de que esta tenha sido a melhor táctica da Apple. A genialidade de Steve Jobs para perceber aquilo que as pessoas realmente querem e precisam vai deixar de estar presente.

Foi essa genialidade que permitiu à marca da maçã conquistar uma posição cimeira nos primeiros tempos do computador pessoal, ainda nos anos oitenta, com uma utilização intuitiva por janelas de que o Windows só se aproximou muitos anos depois.

Foi a continuação do fechamento num nicho de máquinas e software caro e o facto de ter deixado de apresentar inovações significativas após o litígio com Steve Jobs, que levou à sua saída, que conduziu a companhia à quase falência. De onde só saiu com o regresso de Steve Jobs para lançar um conjunto de dispositivos inovadores e dirigidos a um segmento de gama alta, que permite altas rentabilidades.

A frustração que muitos terão sentido com o engano que deliberadamente a Apple deixou espalhar-se não aproxima os consumidores da marca.

Todos sabem que, ainda que a Apple nunca tenha dito que iria apresentar o iPhone 5, ao ter dito que ia falar do iPhone e nunca ter travado as especulações nesse sentido, esteve a deixar jornalistas e consumidores caírem num logro. E disso a marca não poderia deixar de estar consciente.

Vai a Apple prosperar sem Steve Jobs? Se continuar a fazer muitas como esta, provavelmente não terá um futuro brilhante. Tanto mais que vai enfrentar uma feroz concorrência do Android na área dos sistemas operativos para smartphones e tablet PC, que a Samsung está a ter um grande crescimento e que a aliança Microsoft/Nokia pode ser aquilo que faltava à gigante do software para descolar na área das plataformas para smartphones.



FV

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