Orçamentos grandes empresas cortam 15% nas TI em 2009

Publicado em 30/03/2010 12:47 em Destaques

As grandes empresas cortaram este ano 15% nas despesas em tecnologias de informação (TI) nos orçamentos para 2009 mas os seus CIO (administradores responsáveis pelas TI) afirmam que o actual contexto económico é uma oportunidade de afirmação do valor daquelas tecnologias, segundo um relatório da Capgemini Consulting.



Na quarta edição do «Global CIO Report», baseado em 490 entrevistas presenciais a CIO de grandes empresas de 14 países da Europa, Ásia e América do Norte, aquela consultora salienta que o actual modelo de TI irá a breve prazo confrontar-se com alguns desafios provenientes do grande desenvolvimento das tecnologias e dos modelos de negócio gerados em torno de novos paradigmas tecnológicos.



Mais de metade (55%) dos CIO inquiridos afirmaram ter como principal prioridade os projectos de TI que mais podem contribuir para o desenvolvimento e crescimento do negócio, enquanto 34% disseram priorizar os projectos relacionados com as vantagens oferecidas pelas nova condições do mercado.



Segundo a Capgemini Consulting, o próximo desafio a nível de inovação será a gestão do ciclo de vida da informação, o que implicará um novo modelo de governação que permita às empresas usufruirem da informação acumulada.



Entre as medidas para minimizar os efeitos dos cortes orçamentais, os CIO ouvidos citaram a renegociação de contratos com fornecedores (67%), o recurso a serviços de «outsourcing», a aceleração de projectos com elevado impacto nos negócios (55%), a prioridade a projectos com retorno antecipado do investimento (55%) e a reorganização das funções de TI (41%).



O inquérito da Capgemini identicou três tendências na perspectiva das organizações inquiridas perante as tecnologias da informação, uma de gestão da TI como uma utility pura (em 24% dos casos), outra de integração das TI em pacotes para fornecerem um serviço de apoio ao negócio (39%) e uma terceira visão, de «Business Technology», em que as TI são encaradas como um factor fundamental na liderança da informação (37%).



A Capgemi Consulting assinala que é na banca, seguros, media e telecomunicações que as funções de TI com perfil «Business Technology» assumem maior relevo e defende que as empresas que quiserem ser vencedoras na área das tecnologias («Digital Winners»)deverão adoptar este perfil.



Observa que as companhias com o perfil «Business Technology» se adaptaram mais facilmente às circunstâncias decorrentes da recessão económica.



A grande maioria (91%) dos CIO ouvidos afirmou que os projectos tecnológicos são priorizados de acordo com a estratégia de negócios e o respectivo impacto económico e 93% dos inquiridos afirmaram que as funções tecnológicas se apoiam em indicadores para melhor entenderem a disponibilidade da infra-estrutura tecnológica e das aplicações empresariais.



Entre os CIO que responderam, 87% indicou que têm planos estratégicos a três anos para a área das TI e 68% têm níveis de serviços de TI definidos para cada uma das áreas da sociedade.



A maioria dos CIO disse estar a avaliar a possibilidade de aproveitar a Web 2.0 e redes sociais como oportunidades para aumentarem o valor dos seus negócios.



O relatório da Capgemini Consulting aponta para um novo modelo de suporte à competitividade centrado na informação.



Aquela consultora especialista em tecnologias observa que o valor da informação «ainda é um território por explorar».



Adianta que, embora a maioria dos utilizadores de tecnologia nas organizações reconhece as vantagens de um acesso rápido a informação rigorosa e relevante, ainda é necessária uma profunda alteração de comportamentos.

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